segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Brigada do Mar, 17/12/2017 Praia dos Moinhos.

Ontem, foi o dia de limpeza da Praia dos Moinhos, em Alcochete, pela Brigada do Mar. Eu e alguns colegas participámos nesta atividade com a professora, por isso, deixo-vos aqui o meu relato e algumas fotografias da recolha tiradas por mim e por outros participantes.
Perdi a conta aos sacos de lixo que enchi, limpava uma zona e pensava que pior que esta não devia haver, no entanto, andava dez passos e deparava-me com outra enchente de lixo. Quanto mais andávamos, mais lixo encontrávamos e em pior estado a praia estava. Garrafas de plástico aos montes e de vidro também. Com a quantidade de lixo “grande” que apanhávamos, nem havia muito tempo para as típicas beatas no chão, papéis e plásticos pequeninos de rebuçados ou daquelas pastilhas da bubbaloo! Encontrámos o pára choques de um carro, uma cadeira de bebé, bidões de gasolina e afins. E sapatos? O que não faltava ali eram sapatos… Um senhor até disse que tínhamos mais sapatos que uma sapataria.
Para além dos sapatos, também encontrámos luvas, uma das estrelas da recolha. Eram luvas atrás de luvas! Aliás, a primeira coisa que apanhei quando cheguei à praia, sem ser a carica e a beata, foi uma luva escondida no meio das algas. E com as luvas vinham também as embalagens das mesmas, folhas de plástico enterradas na areia como se pertencessem àquele habitat. Isto leva-me para as esponjas, os panos e as roupas abandonados na praia (sabe-se lá porquê) que a natureza tinha acolhido como sendo seus, criando vida à volta deles.
Porém, nada disto pertence ali, nada disto deveria coexistir no mesmo ambiente e, a prova disso foram as mais de dez gaivotas que vi mortas no areal! Não as autopsiei, mas creio que, pela quantidade de lixo que vi por ali, algumas delas devem ter ingerido plásticos pensando tratar-se de alimento, como acontece muitas vezes. E para acompanhar as gaivotas, tínhamos uma fila de alforrecas sem vida de uma ponta à outra do areal. Fui pesquisar sobre o assunto e o que encontrei é que as alforrecas dão à costa, mais no verão, e gostam de água com temperaturas quentes. Ora, estando em Dezembro, fiquei um pouco confusa... Não vou culpar o lixo excessivo, por este fenómeno existente na praia, mas talvez o culpe no aquecimento global.
O estado da água, que mais parecia uma festa de espuma, também não me pareceu muito normal. Calculo que seja da poluição, dos motores dos barcos ou algo do género, mas como não tenho conhecimentos sobre o assunto não vou opinar; deixo-vos apenas as fotografias.


































Admito que sou aquele tipo de pessoa que pensava que Portugal nunca iria chegar ao estado de alguns rios e praias da Ásia, que nunca iria perder a sua beleza nem ser contaminado daquela maneira. No entanto, ontem, ao ver aquela quantidade de lixo, escondida pela areia e pelas rochas, ao ver uma praia tão pequenina com tanto lixo, confesso que fiquei assustada! Como é que chegámos a isto? E se Portugal está assim, então como é que estarão outros países muito mais afetados pela poluição?
Depois de, mais ou menos, seis horas a limpar e a carregar lixo, ao ver aquela pilha de sacos, que a brigada do mar conseguiu recolher e retirar da praia, tive um sentimento de orgulho e de que o meu dia tinha sido passado a devolver algo ao planeta em vez de retirar. Senti-me bem, senti que o meu tempo tinha sido bem usado. Mas, ao mesmo tempo, senti que apesar daquilo tudo ainda havia muito mais por limpar, tanto na praia dos moinhos como nas outras. Pensei na senhora, já de idade, que vai todos os dias àquela praia apanhar lixo, que outros decidiram deixar ali, pensei no impacto positivo que aquela senhora cheira de garra e alma tem ao fazer aquilo todos os dias, mas, por outro lado, compreendi que isso não ia salvar o planeta nem a praia dos moinhos. Porque só podemos reverter as nossas ações, enquanto sociedade, se todos fizermos algo por isso e trabalharmos em conjunto. Começa em nós e passa para os outros, só assim conseguiremos produzir um impacto maior e contrariar esta doença que impusemos no planeta, a poluição!




























Gostava de acabar o meu post com um pensamento positivo. Apesar de não ter sido possível a todos comparecerem ontem, ou de não haver brigadas do mar para todas as praias, existem pequenas coisas que podemos sempre fazer e que já são uma ajuda. Nomeadamente, cada vez que formos à praia, tirarmos cinco minutos do nosso tempo e fazer uma pequena limpeza à nossa volta, recolhendo o lixo que encontrarmos. Não custa nada e será uma ajuda preciosa que somos perfeitamente capazes de dar.


Ana Alexandra Jacques
nº 50167

7 comentários:

  1. Grata, Ana, pela sua presença e pela partilha desta reflexão preciosa (que vou encaminhar para os "chefes" brigadeiros ;) Em resposta às questões colocadas, sim, a espuma é de poluição — tem havido nos últimos meses uma série de descargas clandestinas de fábricas de celulose, o que provocou já a morte de milhares (milhões?) de peixes e leva o gado a evitar beber do rio. E sim, também acredito que podemos fazer diferenças a cada instante pelas nossas escolhas e pelo modo de estarmos no mundo.

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    1. Obrigada pelo esclarecimento professora e pela experiência e oportunidade de ter participado na brigada do mar. Foi sem dúvida algo muito positivo que gostaria de repetir.

      Ana Alexandra Jacques nº50167

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  2. Belíssima e generosa partilha Ana! Obrigada do Mar!

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    1. Muito obrigada rute e obrigada eu, por ter tido a oportunidade de ter participado nesta iniciativa!

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  3. Obrigado pelo belo texto, está muito apetecível. Esperemos que em 2018 se realizem ainda mais campanhas destas. Ouvi falar de uma na base aérea e outra na praia do Meco. Fico a aguardar. Um bom ano para ti e para o resto da brigada do Mar.

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    1. Muito obrigada pelo comentário. Também aguardo por isso. Obrigada e igualmente!

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  4. Felizmente, a sociedade civil portuguesa está cada vez mais ativa!

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