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terça-feira, 19 de maio de 2020

Posters 2020

Deixo aqui os dois posters que melhor conseguiram sintetizar e apresentar a informação resultante da análise do anúncio publicitário escolhido para o projeto de pesquisa de grupo.
(Infelizmente, a transformação de PDF para jpg baixa muito a resolução e as imagens ficam com pouca leitura...)




segunda-feira, 4 de maio de 2020

Consumo


Trago-vos um artigo da The School of Life, uma organização centrada em temas de sabedoria emocional e aprendizagem geral, rápida e concisa, focando desde movimentos artísticos e filosóficos, até pessoas de renome. Este projeto pretende oferecer ferramentas práticas para melhorarmos as nossas próprias vidas e modos de ver o mundo.
O artigo reflete sobre o consumo ao longo dos tempos desenvolvendo uma abordagem histórica, tal como faz Yanis Varoufakis ao explanar a evolução da economia em Talking to my Daughter about the Economy.
O artigo refere que a modernidade é única em comparação com outras épocas devido a uma nova atividade: comprar. De facto, desde o tempo do homo sapiens, a possibilidade de consumir além do objetivo de sobreviver é extremamente recente.
Na Europa, durante o século XII, o salário de um camponês tinha como único objetivo a alimentação. No século XVII desenvolveram-se novas técnicas de agricultura, o que levou à procura de manufaturas e ao crescimento do emprego. Depois, no início do século XVIII, os salários subiram consideravelmente, e produtos considerados de luxo tornaram-se mais acessíveis a um maior número de pessoas. A classe média emergente começou a comprar produtos mais sofisticados e em maior quantidade. Passados dois séculos, a revolução do consumo espalhou-se pelo mundo inteiro. Com serviços de correio cada vez mais eficazes, era possível a entrega rápida de produtos, que circulavam através de catálogos. Em 1882, Hermann Tietz abriu em Berlim o primeiro centro comercial, de aspeto magnificente, com o propósito de induzir os compradores numa espécie de transe (“designed to loosen shoppers´ hold on reality and induce them into a trance-like state”).


Lojas Tietz, Berlim, 1910
O poder de compra permitiu ascensão social e o proprietário de uma feira popular podia ser mais rico e viver melhor do que um imperador inca. Assim, o poder aquisitivo começou a sobrepor-se às regras de etiqueta e de boa educação.
Segundo a visão dos economistas, um país deve participar na compra e venda de produtos de consumo em grande escala para ser próspero, acrescentando ainda que a força e riqueza de uma nação está nos centros comerciais e nos catálogos de compras. A ideia será que o consumo massivo garante o pagamento de impostos para assegurar o bem-estar das classes mais baixas e permitir o investimento em escolas e em hospitais.
Contudo, é importante saber como gastar dinheiro de forma benéfica e consciente, embora os seres humanos tenham dificuldade em distinguir o que “necessitam” do que “desejam”, como já sublinhara Sócrates. Assim, para além do preço, o problema do consumo está intrinsecamente associado ao nosso autoconhecimento. O nosso estado de espírito está ligado ao modo como nos sentimos, por essa razão não se devemos ir às compras com fome, pois é provável que compremos mais do que aquilo de que realmente necessitamos.
A questão, segundo o argumento aqui apresentado, é que não sabemos o que nos traz prazer: “we are untrained amateurs in the art of making ourselves happy”. Acabamos, pois por viver numa gaiola de ideias-feitas. Sem sabermos o que realmente nos traz prazer, tendemos muitas vezes a sobrepor a quantidade à qualidade. Sendo consumidores e cidadãos, é de grande importância determinar em que é que gastamos o nosso dinheiro, porque as nossas decisões de consumo, juntamente com as de outros biliões de pessoas, vão moldar a sociedade e o modo como vivemos.
Há quem defenda, aliás, que talvez devêssemos dar menos valor ao capitalismo moderno, regressar a modos de vida mais simples e redescobrir a felicidade inerente ao ser humano. Só redescobrindo quem somos seria possível consumir de modo mais consciente. Dedicamos a maior parte da vida a ganhar dinheiro; porém,  talvez fosse melhor empregarmos o tempo a descobrirmos a nossa verdadeira identidade.
Quero terminar esta reflexão com uma frase de John Berger (no 4º episódio da série Ways of Seeing, disponível aqui), que reflete o paradoxo da sociedade de consumo, em que a publicidade nos convence que gastar nos trará um aporte extraordinário, quando, na verdade, acabamos é por ficar com menos dinheiro: “Publicity proposes to each of us in a consumer society that we change ourselves or our lives by buying something more. This ‘more’, publicity persuade us, will make us in some way richer, even though we will be poorer by having spent our money”.

Nuno Dias  

sábado, 2 de maio de 2020

A Publicidade face ao novo Corona Vírus

          Como todos sabem, vivemos uma situação de pandemia, com o número de casos de infetados com o Covid-19 a crescer diariamente em Portugal e noutros países por todo o mundo. Vive-se não só uma situação de crise, mas também de pânico, como se pode ver pelas prateleiras vazias de muitos supermercados
Tendo em conta este contexto, é interessante ver como a publicidade reage a estas circunstâncias. Deparei-me com este anúncio, que está espalhado por vários mupis na cidade de Lisboa. O anúncio promove um spray que (alegadamente) purifica o ar, matando os vírus e as bactérias.
Visualmente está muito bem desenhado. Chama-nos a atenção com a frase “Vírus, Bactérias? Stop!”. De seguida, apela ao medo e à paranoia, exclamando “O ar que respiramos é essencial!”.  No centro do anúncio, apresenta, então, o Spray como solução para este problema. Mostra-nos, dentro de uma bolha, uma casa protegida dos vírus e bactérias pelo Spray, que se encontra ao lado. Assim, este produto é apresentado como capaz de purificar o ar e torná-lo totalmente livre de qualquer bactéria ou vírus que prejudique a nossa saúde. Embora não fale diretamente no novo vírus, acho que todos associamos imediatamente a palavra vírus ao Covid-19. Por fim, tem um call-to-action discreto, mas eficaz, em que nos indica que o Spray está à venda nas Farmácias e Parafarmácias. Desta forma, o anúncio consegue chamar a nossa atenção, apresentando-nos um problema e a sua solução e indicando-nos os postos de venda nos quais podemos adquirir o produto.



 Não sendo o objetivo deste post explorar a real eficácia do spray, achei interessante, contudo, encontrar um anúncio que claramente se aproveita da situação atual para gerar um maior número de vendas. De certeza que esta campanha está a ser muito eficaz, dada a escassez de álcool e desinfetantes tradicionais nos locais habituais.
Sigam as recomendações pela DGS e mantenham-se seguros, afinal “O Ar que respiramos é Essencial”.
Gostava de ouvir a vossa opinião neste anúncio,
Eduardo Letria









terça-feira, 21 de abril de 2020

Teaser Champô


Queres saber como ter um cabelo incrível toda a vida? 
Vem descobrir no dia 24/04/2020

quinta-feira, 2 de abril de 2020

sábado, 21 de março de 2020

Aula 20 março

Viva, para quem não conseguiu estar ontem presente na nossa primeira aula online, deixo alguns dos materiais analisados e sugiro que peçam apontamentos aos colegas. Fizemos um esquema minimalista deste anúncio, ao qual fomos acrescentando informação. Usem esta estratégia para a análise dos vossos textos publicitários (e façam-nos antes das reuniões de trabalho já agendadas, por favor!) e não se esqueçam de colocar todo o texto verbal num documento Word de modo a que o possam interpretar como se de um texto literário se tratasse. 
Reagendámos a entrega do esquema de análise do vosso trabalho de grupo para o dia 1 de abril.






Como indicado, a partir de agora retomaremos as aulas no nosso horário regular, através da plataforma Zoom, com as credenciais por mim já partilhadas por email.[1]
 Na próxima aula vamos analisar os posts Williamson 1, 2 e 3 (com os respetivos Case Studies); por favor, leiam atentamente a bibliografia (se por acaso alguém não conseguir ter acesso, entre em contacto comigo!) e procurem comentar os posts de modo a termos material para diálogo durante a aula online.


[1] Join from PC, Mac, Linux, iOS or Android: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/8562630066
Or iPhone one-tap:  308804188,8562630066# or 308810988,8562630066#
Or Telephone:
    Dial: +351 308 804 188 (Portugal Toll) or +351 308 810 988 (Portugal Toll)
    Meeting ID: 856 263 0066
    International numbers available: https://videoconf-colibri.zoom.us/u/aexVGglNmb
Or a H.323/SIP room system:
    H.323: 162.255.37.11 (US West) or 162.255.36.11 (US East)
    Meeting ID: 856 263 0066
   SIP: 8562630066@zoomcrc.com

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Estratégias Consumistas do nosso TEMPO

Numa altura em que a nossa dependência de estímulos parece crescer inimaginavelmente, com crianças habituadas desde muito cedo a múltiplos ecrãs que lhes estimulam a produção de dopamina (neurotransmissor ligado a sensações de prazer), pareceu-me interessante vir aqui fazer uma retrospetiva da evolução, nos últimos anos, das estratégias dos meios de entretenimento, e o modo como, assim, nos exploram. Venho por isso apelar a um exercício de distanciamento, para vermos de uma perspetiva alargada, para não deixar que essas estratégias consumistas do nosso tempo, de procrastinação consumista, diminuam o nosso maior potencial de vida, o potencial de seguir sonhos ou simples objetivos do dia a dia. 

Neste sentido, e com o surgimento de indústrias específicas para os mais variados nichos de marketing, a indústria do entretenimento, com todas as áreas que contém, vem planeando meticulosamente formas de monopolizar o nosso tempo, que é talvez o bem mais precioso que temos. Neste caso, faz sentido dizer "tempo é dinheiro", pois tempo há de corresponder eventualmente a visualizações, audiência, consecutivamente, a publicidade, compras, terminando claro, em dinheiro. 

Comecemos então pela rede social base... o Facebook. Muitas vezes referenciado como uma ferramenta, rapidamente se torna uma fonte de procrastinação. Claro que tudo pode tornar-se uma fonte de procrastinação, sem dúvida. No entanto, com as redes sociais e a televisão, entre outros, trata-se de algo planeado para esse mesmo fim. Pretende-se a todo o custo manter o indivíduo ali preso, viciado, com hits de dopamina a cada clique. É neste âmbito que surgem duas recentes estratégias por parte do Facebook, de Mark Zuckenberg. 

Primeiro, mesmo que tentemos usar o Facebook como uma ferramenta de trabalho, de estudo, de comunicação, o scroll infinito rapidamente propõe vários posts, geralmente inúteis, que tentam o indivíduo a parar neles. Antes, os vídeos de posts, ainda que talvez com clickbaity titles, só começavam quando alguém carregasse play. Agora, no entanto, o facebook força nos a ver esses vídeos, com o chamado sistema auto-play no computador. Os vídeos começam a passar, ainda que sem som, e mais probabilidade temos de a nossa atenção ficar retida naquele post. E uma coisa leva à outra; a nossa curiosidade faz-nos instintivamente querer o som, e compreender o post que já nos fisgou visualmente. Mas claro, bastaria, depois de uns segundos, o indivíduo perceber a inutilidade de determinado vídeo, e continuar o seu scroll down, certo? Errado, caso interrompamos o vídeo, há um outro update que o faz surgir numa pequena caixinha de lado, acompanhando o nosso movimento, sempre a bombardear-nos com estímulos, enquanto a cada post recebemos ainda mais hits de dopamina. Ora, como num qualquer vício, o corpo habitua-se às doses que recebe, e começa a pedir mais. 
É isso que parece ocorrer nas gerações mais novas incluindo a nossa, em que por vezes uma fonte de entretenimento já não é suficiente. Precisamos da televisão ligada, do telemóvel, do tablet; muitas vezes todos ao mesmo tempo. E enquanto estamos a receber estes estímulos,  agora o vídeo para a meio para publicidade, algo baseado no que se faz na televisão. Trata-se de anúncios que aparecem a meio do vídeo, de modo a deixarem o espetador ansioso por retomar a linha narrativa apresentada. Na verdade, quando começaram a surgir os vídeos no Facebook, e quando surgiu o auto-play, não havia anúncios nestes. Eles surgiram devido a experiências, realizadas primeiro no YouTube, onde as pessoas se habituaram, e depois, mais tarde, no Facebook.  Por vezes, no Facebook, até colocam vídeos assim, repetidos duas vezes no mesmo post, de uma forma ambígua, em que parece haver uma continuidade visual, quando, na verdade, se trata de uma repetição, antes de um replay automático. 


Por outro lado, também podemos encontrar este tipo de situação no YouTube. Se antes talvez nos conseguíssemos concentrar completamente no vídeo escolhido, agora parece que, para grande parte das pessoas, esse estímulo não chega, daí que, tal como no Facebook, começarem a ler comentários de outras pessoas, enquanto ouvem o vídeo, talvez com outros dispositivos ligados em simultâneo. É fácil verificar isso, analisando os comentários de inúmeros vídeos, que se relacionam com esse "grupo" ou amostra. Para além disso, muitos dos comentários revelam que as recomendações do YouTube na página, e o auto-play também imbuído, levaram os visitantes à procrastinação, chamados por um vídeo que à partida não tinham interesse em ver, coagidos pelo vício por estímulos. Quanto à presença de anúncios, verifica-se a mesma trajetória. Só depois de uns anos, é que os anúncios começaram a surgir, e atualmente, já colocam dois anúncios num vídeo, um no início e outro no fim. E logo depois, o que acontece? O YouTube lança uma membership, sugerindo que se pagarmos podemos não ver constantemente estes anúncios. Cá está, habituam-nos devagarinho, vão aumentando, e depois usam isso para fins monetários (algo como o que o Mb Way parece estar a fazer com as suas transferências que irão passar a ser pagas, agora que muitos já usam a aplicação). 



Há também algo interessante, que apenas descobri há dias, no novo algoritmo de Instagram. Sendo uma ferramenta incrivelmente útil e especialmente relevante na sociedade visual atual, o Instagram é bastante utilizado por pequenos negócios ou por artistas que querem divulgar os seus produtos/trabalhos. No entanto, este novo algoritmo determina que a quantidade de tempo gasto na aplicação vai influenciar diretamente a quantidade de visualizações que o post irá ter. Porquê? Segundo a própria empresa, o Instagram pretende recompensar as pessoas que mais estão presentes na rede social, que mais interagem com o público, o que significa que alguém que está constantemente a colocar histórias, publica todos os dias, comenta várias fotos de outras pessoas, ou apenas dá likes em resposta a histórias, irá ter à partida mais visualizações num post feito à mesma hora por outra pessoa com o mesmo número de seguidores mas que só publica duas vezes por semana, estando mais ocupada com a vida “real”. Mais radicalmente, tenta-se treinar, domesticar o indivíduo fomentando a sua vida virtual e sacrificando a sua vida real.  



Contudo, esta obsessão com estímulos está presente nos vários meios de entretenimento, não só nas redes sociais e internet. Por exemplo, no meio da televisão, também são usadas estratégias para manter o espetador, preso ao ecrã. Algo que não acontecia na década anterior, é agora quotidiano, em canais por exemplo da Fox. Quando um programa acabava, um episódio, um filme, havia um pequeno intervalo com publicidade, antes do próximo. E o espetador, tendo terminado a sua jornada ficcional, sentia-se livre para passar a outra ação, regressando ao trabalho, por exemplo. Atualmente, no entanto, logo que termina um filme, começa imediatamente outro que tenta fisgar o espetador. Assim, se a publicidade, i.e., o intervalo, for no meio do visionamento, há mais probabilidades de o indivíduo, nós!, aguentarmos os anúncios e vermos mais do que um programa. Mesmo em sites de notícias, como a SIC notícias, os anúncios também têm a sua funcionalidade de auto-play, espelhando assim o mecanismo da televisão: recebes este conteúdo (as notícias) vendo o anúncio.  



Em suma, com estratégias cada vez mais pensadas para controlar o indivíduo, para monopolizar o seu tempo, torna-se fulcral construir uma disciplina forte para que não nos deixemos levar. É por isso importante, na minha opinião, fazermos regularmente exercícios de distanciamento destes meios de entretenimento para os observarmos de outra perspetiva, uma perspetiva mais crítica e objetiva, capaz de identificar estes mecanismos, e nos permitir emancipar do alheamento da vida que eles nos propõem, tal como sugere, aliás, a área disciplinar da Cultura Visual. 

António Santos 150381