Como sabem, na nossa última aula, na passada sexta-feira, dia 10 de maio, começámos por praticar um pouco de yoga, que nos ajudou a descontrair, libertando-nos do stress do final de semestre.
Pelos vistos, a nossa professora não é a única pessoa na Ulisboa apologista do Yoga, que nos ajuda a equilibrar mesmo em momentos de avaliação, particularmente stressantes.
Entre os dias 7 e 24 de maio, a nossa universidade oferece aulas de yoga gratuitas, na Alameda da Cidade Universitária, muito perto da nossa casa, a Faculdade de Letras. Estas aulas são dadas em pareceria com a Associação Portuguesa de Yoga com o objetivo de ajudar a que os alunos tenham um período de exames com menos stress. Partilho convosco esta iniciativa, que visa melhorar a saúde física e mental dos estudantes.
Durante este semestre tenho-me deparado com várias temáticas que me fazem raciocinar, sentir e estar atenta ao que me rodeia, desde o mundo até às pessoas. Uma dessas temáticas é a empatia. Parece um conceito tão óbvio, tão familiar, mas será mesmo assim tão simples?
Há aspetos a mencionar no vasto campo da empatia, um deles (que pretendo explorar hoje) é a compreensão. Qual será a importância de ouvir e entender o outro? Será que devemos ouvir sempre? Devemos evitar ser confrontados com aquilo de que discordamos?
Em relação à última pergunta trago-vos uma TED Talk, na qual é discutida e apresentada a importância de nos relacionarmos com opiniões das quais discordamos.
Why it's worth listening to people you disagree with
- Zachary R. Wood
Pode parecer algo contraditório dar tempo de antena a quem nos antagoniza, mas, se virmos a questão sob outro ponto de vista, podemos vir a ganhar duas coisas: um nova forma de pensar e de ver e, eventualmente, a certeza absoluta de que não concordamos com o que nos dizem e estamos dispostos a lutar pelos nossos princípios. Ficamos sempre a ganhar! É através do desconforto que por vezes aprendemos as coisas mais marcantes, por isso acredito que este seja um método que nos ajude a realizar uma constante evolução tanto em relação aos outros como a nós mesmos.
Quando este assunto foi abordado em aula deu-me que pensar. Já me tinha dado conta dos constantes condicionamentos com que é moldado o nosso olhar e do modo como essas construções culturais e sociais definem a maneira de nos relacionamos com a Terra que pisamos e com as pessoas que nos rodeiam. Porém, nunca me tinha obrigado, conscientemente, a subverter este olhar, policiando-o de modo a nele poder incluir as coisas normalmente invisíveis, fora do meu campo de visão.
A propósito do perigo deste condicionamento, cruzei-me com esta TED Talk sobre o modo como nos relacionamos com o mundo e somos condicionados a abdicar de coisas na vida em prol do que a comunidade considera o bem comum. O palestrante, Clint Smith, conclui que a coisa mais importante de que abdicamos neste processo acaba por ser a nossa voz e o nosso poder de mudar o mundo através das palavras.
Acho especialmente interessante e relevante o facto de Smith nomear as quatro premissas essenciais para subverter estas estratégias culturais de obliteração: "Lê criticamente. Escreve conscientemente. Fala claramente. Conta a tua verdade". Salienta-se, assim, a importância de alargamos a nossa leitura do mundo, para superarmos o modo como somos condicionados a acreditar, e a reproduzir, verdades que poderão não ser as nossas.
Nos tempos que correm, torna-se essencial lermos o mundo e, no âmbito desta disciplina, a cultura visual, de modo critico, analisando o que nos entregam como natural, assim como escrevendo e falando sobre as nossas opiniões. É importante que existam pessoas conscientes neste mundo, e que cada uma tenha a possibilidade de contar a sua verdade, de partilhar a leitura crítica que fez da sua realidade. Acima de tudo, é essencial que possamos abrir o nosso leque de visão através destas leituras redobradas que fazemos do mundo, de modo a que possamos começar a reconhecer quem se encontra à nossa volta e a sua humanidade e dignidade!
Certamente que se recordam que uma das questões mais faladas nas aulas se prende com a concentração da riqueza em apenas 1% da população mundial. Neste sentido, proponho que vejam o documentário Class Divide, de Marc Levin, onde o contraste entre pobres e ricos é mostrado em Nova Iorque, num fenómeno em que os bairros pobres estão a dar lugar a casas de luxo e os habitantes pobres da cidade estão a ser expulsos das suas casas. Aqui ouvimos os dois lados, desde os mais jovens aos mais velhos, e ficamos a conhecer de perto uma escola privada altamente tecnológica e escandalosamente cara!
Na minha opinião, o Sistema de Educação em Portugal tem sido o mesmo desde o tempo do Marquês de Pombal. No caso do Reino Unido, pode-se dizer também que o modelo é o mesmo desde a época vitoriana.
A falta de atenção ao carácter único de cada aluno é evidente. O modelo de produção desde a Revolução Industrial espelha-se no Sistema de Educação.
O famoso rapper Prince EA fez um grande vídeo ativista sobre este mesmo problema!
Para quem ficare interessado em conhecer alternativas, convido-vos a ver um post sobre a Green School, de John Hardy, que publiquei no nosso blogue no ano passado.
Obrigada à professora Diana por lecionar esta disciplina fabulosa.
Este filme, mais do que constituir um conjunto de alternativas a um modelo económico que não se crê que seja sustentável, representa um movimento de esperança. Um movimento que se quer comunitário e partilhado porque, caso contrário, estará condenado ao fracasso prematuramente. Subvertendo a lógica capitalista do individualismo e da excessiva competitividade, testemunhamos como, perante um dos maiores desafios da História da Humanidade, o aquecimento global, o ser humano detém o poder de se reinventar, enquanto ser social, e contribuir para uma mudança. Para tal, o filme "Amanhã" apela à mobilização no sentido em que dota, cada um de nós, de maior consciência dos nossos actos. Somos responsáveis pelas nossas decisões, mas também o somos quando assistimos passivos ao que nos rodeia — não fazer nada também é uma escolha!
Recomendo vivamente que vejam este filme.
Está em exibição, pelo menos até quarta-feira, dia 5 de Outubro, nos cinemas Monumental no Saldanha - sessão única, diária, às 19h30. Aproveitem o feriado e vão ao cinema!
E para quem quiser seguir o trabalho e as propostas da ativista ecológica e mestre espiritual Joanna Macy (cuja obra tivemos a oportunidade de discutir este semestre), espreitem o último volume da revista Deep Times Journal (maio 2016), disponível para consulta e dowload aqui.
Este pequeno vídeo foi realizado na Kansas State University, em 2007, por Michael Wesch (professor de Antropologia Cultural) e um conjunto de estudantes da sua cadeira. E mesmo tendo já quase uma década, mantém-se tão actual como se tivesse sido realizado ontem, por exemplo, na Faculdade de Letras.
Porque o vídeo dá uma visão sobre o sistema de ensino de que hoje fazemos parte, enquanto estudantes. Estamos realmente a aprender aquilo que devemos aprender?