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sábado, 23 de maio de 2020

Human 1, 2, 3

Este documentário é absolutamente incrível, de uma profundidade e beleza tocantes. Tem uma banda sonora eclética e inspiradora. As imagens lembram-nos que, apesar da ganância humana, a Terra é uma casa voadora mágica. Filma gente de todo o mundo, abordando temas fundamentais para a nossa humanidade. É tocante reconhecer que somos uma gigantesca família, com mais parecenças do que por vezes gostaríamos de admitir.
Recomendo!








quinta-feira, 21 de maio de 2020

Brigada do Mar

Esta ONG foi fundada por dois queridos amigos, que há mais de 12 anos dinamizam ações de limpeza da costa e de zonas fluviais. Eu mesma já participei em vários desses encontros, porque (parafraseando Gandhi) acredito sermos a mudança que queremos ver no mundo. Deixo-vos o site do projeto, onde se podem informar sobre futuras ações e inscreverem-se como voluntários, e ainda um documentário sobre a Brigada do Mar realizado no ano passado. 
Entretanto, todos podemos contribuir para um futuro mais sustentável, através de pequenas ações como as nossas escolhas de consumo (deixar de comprar produtos embalados em plástico e preferir o granel, por exemplo) e de gestos generosos como apanhar lixo quando vamos dar um passeio à natureza. Espero que se sintam inspirados e ponham mãos à obra!

sábado, 11 de abril de 2020

boa ressurreição *

1h30 de entrevista no canal de notícias alternativo LONDONREAL, com o Bruce Lipton, criador da epigenática, um médico extraordinário que reflete sobre os efeitos provocados no sistema imunitário pelo discurso de terror na mediatização e gestão política deste vírus da gripe. vale muito a pena ouvir! 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

CONTRAPOINTS E CORPORALIDADE


Segundo o cânone clássico da filosofia acessível ao público pelo ensino secundário e pela opinião popular, quem filosofa são pessoas antigas de séculos passados, alemães rígidos com palavras compridas e sentido de dever. Dificilmente estabelecemos uma ponte entre o panteão dos filósofos e os assuntos mais quentes da contemporaneidade, como feminismo e políticas de género  no ocidente. Afinal quem é que participa na filosofia hoje em dia?
O tema da corporalidade, por exemplo, foi abordado em 1962 por Merleau-Ponty apontando uma relação entre a consciência social, cultural e o corpo: “A cultura científica ocidental requer que tomemos os nossos corpos simultaneamente como estruturas físicas e como estruturas experienciais vividas”.[1]  A corporalidade é o modo como habitamos o corpo ocupado por toda as questões da vida. Cada corpo tem uma experiência diferente. Cada uma destas experiências resulta de preconceitos, hábitos, medos e vivências.
Os intelectuais de hoje vêm de vários backgrounds, o canal de YoutUbe ContraPoints é um bom exemplo para começar. Natalie Wynn, a sua autora, é uma mulher transgénero que deixou a carreira universitária em Filosofia para se dedicar a este projeto. O seu canal nasceu para argumentar contra conteúdos alt-right (alternative right) e de extrema direita, discutindo também políticas de género no atual ambiente político. Por exemplo, o seu vídeo Men propõe um diálogo com uma comunidade pouco discutida na coletividade de esquerda na internet: os novos homens, adaptando-se às exigências dos tempos contemporâneos e sentindo-se, por vezes, atacados pelo discurso do feminismo radical(izado).



Natalie Wynn
Wynn sublinha que poucas pessoas têm a experiência de viver em dois géneros diferentes e poder olhar o mundo de perspetivas distintas. Sendo trans, a filósofa-performer admite que pode ter algo de interessante para partilhar relativamente à sua experiência. O facto de ser uma mulher branca fê-la perceber que, em geral, as mulheres têm direito a ser cuidadas, “os homens fazem coisas por mim”, andar à noite tornou-se mais assustador e agora não mete medo a ninguém (“ninguém tem medo de mim”). Ou seja, o fator que mudou não foi só o corpo, mas sim a forma como as outras pessoas respondem a esta corporalidade, social e culturalmente.
Segundo a youtuber, os homens são tratados como perigosos por definição. Isto pode ser malicioso especialmente se tivermos em conta outras identidades. Natalie Wynn conta a situação num elevador onde ela se encontrava sozinha com um homem negro, que começou a assobiar a música infantil “Row Row Your Boat”, numa tentativa de mostrar a sua inocência. Tendo em conta os preconceitos raciais da cultura estado-unidense, Wynn apercebeu-se de que aquele homem temeu que ela tivesse medo por estar sozinha com um homem negro. Sugiro, pois, vivamente uma tarde a ouvir os pensamentos e opiniões desta mulher e de outros youtubers como Kat Blaque e Oliver Thorn.


Kat Blaque
Ana Nobre

[1] Dreyfus, Hubert L. "The Embodied Mind, Cognitive Science and Human Experience" Mind, vol.102, no. 407, 1993.

segunda-feira, 16 de março de 2020

PROPAganda

Com toda esta situação de isolamento que estamos a passar trago uma sugestão para os "tempos-livres". Porque a televisão pública não é só touradas e Preço Certo, a RTP transmitiu o documentário Propaganda: A Arte de Vender Mentiras, de Larry Weinstein (2019), disponível na RTPPlay até 20 de março.

Independentemente de concordarmos ou não com as perspetivas apresentadas, este documentário oferece algumas visões interessantes sobre a temática da propaganda, abordando desde os tempos mais antigos até à atualidade. Através desta linha temporal, debatem-se questões como a liberdade de expressão, o valor da "verdade" ou a construção de realidades, entre outras. Vemos o modo como as imagens e os discursos são manuseados para moldar o nosso quotidiano, tal como temos vindo a abordar na cadeira Cultura Visual.



Catarina Semedo

domingo, 12 de maio de 2019

Exames sem stress

Boa tarde colegas!
Como sabem, na nossa última aula, na passada sexta-feira, dia 10 de maio, começámos por praticar um pouco de yoga, que nos ajudou a descontrair, libertando-nos do stress do final de semestre.

Pelos vistos, a nossa professora não é a única pessoa na Ulisboa apologista do Yoga, que nos ajuda a equilibrar mesmo em momentos de avaliação, particularmente stressantes.

Entre os dias 7 e 24 de maio, a nossa universidade oferece aulas de yoga gratuitas, na Alameda da Cidade Universitária, muito perto da nossa casa, a Faculdade de Letras. Estas aulas são dadas em pareceria com a Associação Portuguesa de Yoga com o objetivo de ajudar a que os alunos tenham um período de exames com menos stress. Partilho convosco esta iniciativa, que visa melhorar a saúde física e mental dos estudantes.

Umas excelentes férias e bons exercícios!

Micaela Henriques Nº153621

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Transformar_Meditar

Olá colegas!

Recentemente foi me apresentado um programa de meditação criado por Deepak Chopra que decorre ao longo de 21 dias. Inicialmente, não me pareceu apelativo, pelo simples facto de que a meditação não é um tópico de interesse pessoal; contudo, ainda assim, decidi entender melhor este projeto.
Resumidamente, durante 21 dias leem-se os textos propostos e ouve-se um ficheiro áudio de 20 minutos para realizarmos uma meditação guiada. Há, também, uma tarefa diária que devemos cumprir. Cada dia é um novo tema com o objetivo final de nos transformarmos, criando abundância e felicidade nas nossas vidas.

Devo admitir que, acabei por não me envolver completamente. Porém, dediquei-me a alguns dos desafios por curiosidade e fiquei a entender a dinâmica e o propósito desta forma de estar. Apesar de ser uma forma de melhorarmos o nosso quotidiano e, esperançosamente, o quotidiano das pessoas à nossa volta, o que achei mais interessante foi o modo como muitos dos problemas que nos são apresentados ao longo desta prática estarem na base de alguns dos desequilíbrios que encontramos na sociedade, atualmente. São apontadas falhas pessoais que nos impedem de experienciar o lado mais positivo da vida e estratégias para ultrapassarmos essas barreiras. Ironicamente (ou não) encontramos algumas das mesmas lacunas na sociedade. A forma de mudarmos e termos uma vida de abundância, em sociedade, passa muito por fazermos escolhas conscientes, sem sermos guiados pelo ego e pelo ganho pessoal. Por outro lado, teremos de deixar para trás as coisas que não nos beneficiam como sociedade e começar a cultivar comportamentos e hábitos que realmente nos ajudem. E estes são exatamente alguns dos exercícios que nos propõem fazer com a meditação.
Portanto, se durante 21 dias conseguimos tomar passos simples para resolver problemas pessoais  porventura conseguiremos transpor este saber para  rejuvenescer a sociedade e curá-la. Já existem muitas pessoas com este mindset (o blog desta disciplina é prova disso), que acredito estar em crescimento contínuo. Por fim, queria reforçar que a mudança da sociedade pode ser algo mais leve e simples, que deve partir de cada um de nós. Passos relativamente simples podem mudar bastante o nosso interior. E assim, com a mesma facilidade, e alguma persistência, poderemos mudar o que nos rodeia.    


Obrigada e até amanhã!
Mafalda Marques nº153177

Ser cego

A visão é algo tão natural para nós, pois, desde que nascemos, temos a capacidade de ver tudo o que nos rodeia, mas nem toda a gente tem a mesma sorte. Molly Burke é uma influencer de 25 anos, de origem canadiana que foi diagnosticada com "Retinite Pigmentosa", uma doença rara que causa perda de visão. 
Contudo, não deixou que a doença a desmoralizasse e por isso decidiu usar a voz e partilhar a sua experiência, para ajudar outras pessoas com problemas idênticos. Logo aos 5 anos, começou a falar em público e nunca mais parou.
Molly partilha também regularmente a sua vida no seu canal de YouTube, onde mostra que a falta de visão não é um entrave. Assim, explica-nos como atravessa este obstáculo, aprendendo estratégias que a ajudam a construir uma "vida normal" — por exemplo, o modo como escolhe um conjunto para vestir, algo que para nós parece simples mas que requer algum esforço da sua parte. 
Além do seu cão-guia, que a auxilia diariamente, a tecnologia é a base fundamental para o seu trabalho, como se pode observar no vídeo abaixo. Como a história da Molly, há muitas outras. Gostaria, pois, de vos convidar a ver outros vídeos, incluindo algumas das suas palestras, porque penso ser interessante perceber de que modo Molly ultrapassa o seu problema de visão e a forma otimista como encara cada obstáculo.


 
Maria João Figueiredo n151225

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dia Internacional dos Museus

Boa noite colegas!

Sabiam que 18 de maio é o dia internacional dos museus?
O Museu de Lisboa, em particular, vai oferecer três dias de entradas e atividades gratuitas em vários dos seus polos e achei pertinente partilhar esta informação convosco. Que atividade mais adequada para fomentar a literacia visual do que visitar e explorar diferentes museus?!
Deixo-vos o link do site em que descobri esta atividade; no final encontram uma ligação para o programa completo.
Espero que tenham gostado da minha proposta para um bom começo de férias e até amanhã!

                                                                                                                  Beatriz Bibas Silva nº151257

terça-feira, 23 de abril de 2019

Zero Waste

    Olá colegas, hoje trago-vos um post sobre o plástico e como é possível viver sem criar qualquer tipo de lixo.  
   Está declarada a guerra contra o plástico. Ninguém está a salvo deste problema que se acumula há mais de 60 anos. Mas viver sem ele será uma utopia ou uma realidade urgente? 
    Estamos a plastificar a nossa terra, os nossos oceanos e, consequentemente, os seres que nela habitam. Vivemos numa sociedade descartável, em que não valorizamos o que temos. Esperamos que o nosso lixo seja sempre reciclado, mas, infelizmente, três quartos do lixo nem sequer chegam a um aterro sanitário. Em vez disso, percorrem vários caminhos até chegarem ao oceano. 

  Neste sentido, a pergunta que devemos colocar a nós próprios é se será possível, de facto, vivermos num mundo sem plástico? A resposta é um grande sim.
         
 Criadora do blogue Trash is for Tossers, a ativista Lauren Singer ensina como podemos reduzir o que compramos, não usar plástico no dia-a-dia e, fazermos composto.

  
 Singer popularizou o movimento Zero Waste e através do seu blogue e de workshops e palestras, encoraja milhões a aderirem ao movimento que protagoniza.




  Para estimular a vossa curiosidade, deixo aqui algumas das propostas de Lauren Singer para reduzirmos o consumo de plástico:
  • Livra-te de sacos de plástico e troca-os por sacos recicláveis;
  •  Esquece as palhinhas, dado serem um dos piores inimigos do oceano;
  • Evita comprar produtos embalados em plástico...

 Espero que este post vos tenha suscitado curiosidade relativamente a  este modo de vida sustentável e desejo, igualmente, que tenham aprendido algo de novo. Finalizo, encorajando-vos a visitarem o Blogue de Lauren Singer e, fundamentalmente, a seguirem as suas dicas!
        Maria Lua Legateaux 151229

sábado, 6 de abril de 2019

Interagir com o desconforto - sim ou não?

Olá colegas!
Durante este semestre tenho-me deparado com várias temáticas que me fazem raciocinar, sentir e estar atenta ao que me rodeia, desde o mundo até às pessoas. Uma dessas temáticas é a empatia. Parece um conceito tão óbvio, tão familiar, mas será mesmo assim tão simples?
Há aspetos a mencionar no vasto campo da empatia, um deles (que pretendo explorar hoje) é a compreensão. Qual será a importância de ouvir e entender o outro? Será que devemos ouvir sempre? Devemos evitar ser confrontados com aquilo de que discordamos?
Em relação à última pergunta trago-vos uma TED Talk, na qual é discutida e apresentada a importância de nos relacionarmos com opiniões das quais discordamos.

Why it's worth listening to people you disagree with
- Zachary R. Wood

Pode parecer algo contraditório dar tempo de antena a quem nos antagoniza, mas, se virmos a questão sob outro ponto de vista, podemos vir a ganhar duas coisas: um nova forma de pensar e de ver e, eventualmente, a certeza absoluta de que não concordamos com o que nos dizem e estamos dispostos a lutar pelos nossos princípios. Ficamos sempre a ganhar! É através do desconforto que por vezes aprendemos as coisas mais marcantes, por isso acredito que este seja um método que nos ajude a realizar uma constante evolução tanto em relação aos outros como a nós mesmos.

Viviana Parente Nº153571

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Agenda Núcleo do Ambiente

Boa tarde colegas, espero que se encontrem bem, física e mentalmente.

Aproveitando a ótica ambiental e ativista desta cadeira, sirvo-me desta plataforma para vos informar sobre alguns eventos que o Núcleo do Ambiente da FLUL vai realizar nesta e na próxima semana.

-Amanhã, dia 4 de abril
Visionamento do filme La Belle Verte, no Anfiteatro II às 18h
Este belo filme explora o conceito de antropoceno, a relação da espécie humana com a natureza.

Enredo: "No Planeta Verde a utopia realizou-se e as pessoas desenvolvem a mente e corpo em harmonia com o meio natural onde vivem. Este filme relata a história dos nativos desse planeta e da sua vinda à Terra, o que implica um enorme choque de valores."

-Sexta-feira, 5 de abril:
Workshop de desodorizantes à base de produtos naturais
Para quem quiser ser amigo do ambiente e da carteira. O workshop é grátis e não precisam de trazer nada.

-Sexta-feira, 12 de abril
Palestra "O Espírito e a Natureza", com o professor Paulo Borges (Departamento de Filosofia, especialista em pensamento oriental), no Anfiteatro II, às 18h.

Face à crise ambiental, percebemos que também estamos em face de uma grande crise espiritual. Por trás das recentes modas de yoga, meditação e auto-desenvolvimento, podemos reparar numa tentativa coletiva de nos reconectarmos com a parte que se esconde dentro de nós, o dito espiritual.
O que une, pois, a crise ambiental e a crise espiritual que se manifestam nos nossos dias?
Poderá o entendimento sobre o nosso íntimo espiritual levar a uma relação com a natureza mais sustentável? Poderá a perda da dimensão espiritual da nossa sociedade ser uma das grandes causas da decadência do nosso comportamento ecológico?

Aconselho a todos a presença nestes eventos, em especial na palestra do professor Paulo Borges, para alargarem a vossa visão, não só em torno do que temos vindo a estudar nesta cadeira, mas também em relação ao vosso mundo e vida pessoal.

Eu, o Núcleo e a Mãe Terra contamos com vocês.
Saudações académicas,
Liliana Santos

quinta-feira, 28 de março de 2019

Portugal (não) é um país pequeno e outras histórias do pós-colonialismo - Dia Mundial do Teatro

Boa noite colegas!

Hoje, em honra do Dia Mundial do Teatro, trago um artista que me é muito querido, e um nome emergente do teatro nacional — André Amálio, ator, dramaturgo e encenador.

Este criador tem vindo a desenvolver um trabalho que nos convida a repensar a história de Portugal, sendo a sua máxima de trabalho — "Repor a verdade sobre o colonialismo português". O trabalho que tem desenvolvido sobre este tema perfaz uma tetralogia, em que que cada uma das peças se debruça sobre uma faceta do colonialismo português e dos discursos em torno deste, tal como as suas consequências sociais, culturais e políticas. Os títulos de cada uma das peças indiciam já algumas ideias com as quais, provavelmente, já nos confrontámos: Portugal (não) é um país pequeno; Passa-porte; Libertação e Amores Pós-Coloniais. Aqui podem ver o trailer da primeira peça e outras informações sobre este criador.

André Amálio decidiu contar estas histórias exatamente porque constatou que os livros de História, do nosso ensino, desde o primário ao secundário, transmitem aos alunos uma narrativa que percebeu ser ideologicamente carregada, a ponto de não sabermos realmente a verdade sobre a história. De que modo é que os mitos do regime continuam a pesar na sociedade portuguesa; como é que a História é branqueada para transmitir uma ideia que glorifica ainda os Descobrimentos portugueses, escondendo todas as suas consequências e as atrocidades cometidas; quais foram as consequências reais da nossa presença nas colónias e da sua libertação tão tardia (não esquecer que fomos a nação que manteve colónias durante mais tempo, cerca de 500 anos) são algumas das questões que coloca. E são questões que nos obrigam a confrontar aquilo que ignoramos, que escolhemos não ver e que, além disso, também não nos é permitido ver, a nível institucional. E creio ser necessário constatar estas realidades, muitas vezes duras, através das críticas que começam a surgir em relação à temática, pela mão de artistas como André e muitos outros, no cinema, na música, etc.

André Amálio quer corrigir a História do colonialismo com "Libertação"

As diferentes histórias que conta confrontam-nos em primeira mão com as visões que apoiam estas ideologias, visões que nos dão conta daquilo que já está de tal modo entranhado na nossa vivência que não nos apercebemos sequer da forma estrutural como estes mitos do chamado "lusotropicalismo", dos brandos costumes e de sermos colonizadores que, "ao contrário dos outros", desenvolveram uma boa relação com Angola ou com Moçambique, penetraram no nosso modo de estar enquanto portugueses. E são mesmo histórias reais, visto que o seu trabalho se insere no género de teatro documental, e todo o material que aparece em cena é recolhido e analisado a partir de depoimentos, muitas vezes citados diretamente em palco.
Estes confrontam-nos muitas vezes de modo brusco e chocante com a forma como nem nos apercebemos que perpetuamos determinados comportamentos, coisas pequenas como a nossa "grande" música candidata à Eurovisão 1989, "Conquistador", que aparece logo na primeira peça da tetralogia. Por outro lado, estes relatos geram também um efeito curioso na audiência, a que o próprio se refere e que eu mesma já tive a honra de presenciar — geram uma vontade contagiante de partilhar as nossas próprias histórias, juntar o nosso depoimento àqueles que são lidos, ouvidos e projetados durante as performances. Porque afinal, se estamos a branquear a História deste modo, milhares de vozes não são ouvidas, vozes que foram sendo esquecidas com o passar dos anos, escondidas e votadas ao silêncio.

Está nas nossas mãos, com o acesso que temos à informação no presente, e com o auxílio do engenho criativo e coragem de alguns artistas como André Amálio, procurarmos refletir sobre estas questões e perceber o modo como a educação molda a nossa mundivisão e nos marca ideologicamente. E se existem artistas que deliberadamente se dirigem à comunidade, para com ela investigar as suas histórias e aceder a essa memória histórica coletiva (portuguesa, angolana, moçambicana...), para recriar o nosso modo de ver e pensar o mundo, democratizando a arte neste processo, não será nossa responsabilidade agarrarmos esta cidadania plena e informada, para podermos agir mais livremente?

Deixo-vos com a página da companhia de André Amálio e da sua companheira, Tereza Havlíčková, Hotel Europa, caso tenham interesse em saber mais sobre as peças e o trabalho continuado que estão a desenvolver. Deixo o convite para as suas próximas produções este ano: em setembro, estreiam a peça Os Filhos do Colonialismo, que certamente tocará temas marcantes para a grande maioria da turma; em Outubro, O Fim do Colonialismo Português, uma performance que dura 13 horas, evocando os 13 anos da Guerra Colonial.

Obrigada por lerem, e continuação de boa semana!

Leonor Madureira / 150360

segunda-feira, 18 de março de 2019

#TrashTag Challenge

Boa tarde colegas,

Nas nossas aulas o poder da internet enquanto instrumento político é um tema recorrente e tenho visto ultimamente vários exemplos que o comprovame. Mais do que um local para partilharmos fotos, para comunicarmos com aqueles que conhecemos ou encontrar novos amigosr, a internet é também uma plataforma que pode servir para maravilhas como esta que convosco partilho: muitos são os Challenges que conhecemos, uns melhores do que outros, e este é de certeza um dos melhores que já se viu.

Por iniciativa de um rapaz, de nome Roman, muitos foram os locais do nosso planeta que, desde 5 de março, estão mais verdes, mais limpos e mais saudáveis. O #TrashTag Challenge, como refere o jornal Público, é um desafio em que: “Primeiro, encontras um sítio que precise de ser limpo e tiras uma fotografia. Depois, pegas em alguns sacos e “perdes” alguns minutos a limpá-lo. No fim, tiras uma foto do mesmo sítio após a tua intervenção e partilhas nas redes sociais o antes e o depois. São estes os passos que precisas de dar para participares no novo desafio da Internet”.


"Aqui está um novo desafio para todos os adolescentes aborrecidos”, escreveu Byron Román no Facebook, chamando a atenção mundial para a necessidade de termos um planeta mais limpo. Com mais de 331 mil partilhas e quase um milhão de reações, a publicação de Román deu uma nova vida ao desafio lançado em 2015 pela UCO Gear, uma empresa de produtos de campismo. “Este é um movimento para inspirar as pessoas a serem melhores para o ambiente”, disse Craig Frazee, da UCO, à CNN”.

Deixo-vos em anexo algumas das fotos tiradas por pessoas que se sentiram desafiadas e não resistiram em deixar uma parte do planeta mais limpa!




A mudança é possível, este é só mais um exemplo de que uma ação que parece pequena, mas pode e mudar o mundo!

Até quarta,
Micaela Henriques Nº153621

quinta-feira, 14 de março de 2019

Greve Climática Estudantil

Boa tarde caros colegas e professora,


No contexto das temáticas ativististas já abordadas na aula, serve esta mensagem para avisar que amanhã decorrerá a Greve Climática Estudantil com marcha a partir do Largo Camões às 10:30h.
Como sabemos, a preocupação com as alterações climáticas do nosso planeta é crescente entre todos. Por isso, é hora de agir. Hora de deixar de ser ativistas de sofá e sair à rua.
Recomendo a todos e todas a participar (nem que seja passar) nesta marcha que procura chamar a atenção da população para as mudanças necessárias para a inversão do destino para o qual caminhamos.
A quem decidir participar, pede-se também que faça os professores das aulas a que vai faltar saber da razão da ausência. Pois isto não é uma desculpa para "baldar" às aulas, mas sim um chamamento de atenção que visa englobar todos.
Para quem quiser também, hoje das 18h às 20h (talvez até mais tarde) o Núcleo do Ambiente da Faculdade de Letras estará na associação de estudantes a preparar cartazes e etc para a manifestação. Sintam-se à vontade para aparecer e fazer um cartaz ou simplesmente informar-se sobre estas questões.


Obrigada pela atenção,
Saudações a tod@s


Liliana S.




https://m.facebook.com/#!/events/253285392231164
 

domingo, 3 de março de 2019

Over Flow

Boa tarde colegas,

A presença da nossa convidada Ana Rita Seirôco, na aula de sexta-feira passada, dia 1 de março, despertou em mim uma vontade imensa de visitar o MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), nomeadamente a exposição do artista japonês Tadashi Kawamata, Over Flow. Pelo que, assim o fiz hoje, dia 3 de março.

A apresentação dos plásticos fornecidos pela Brigada do Mar como se fossem uma onda imensa sobre a qual flutuamos ou onde estamos submersos  não só desperta em nós uma consciência de que o plástico é um mal maior nos nossos oceanos, mas também um sensação de claustrofobia. A dado momento na exposição, quando estava sob uma imensa quantidade de plástico que me cobria a cabeça senti que me faltava o ar, o que me levou a colocar no lugar de uma espécie marítima, impedida de respirar por se ver enredada em montanhas de plástico.

Recomendo a visita a esta exposição, da qual deixo algumas fotos (nomeadamente do vídeo que explica como foi concebida a peça), para vos aguçar a curiosidade! 












Bom Carnaval, até sexta!
Micaela Henriques Nº153621

sexta-feira, 1 de março de 2019

Quem governa o mundo?

Impõe-se a questão... Afinal, quem comanda tudo isto? Pensamos que seriam os governos das várias nações, mas parece que tal não acontece. As corporações passaram a liderar e a a exercer poder, a ponto de influenciarem os governos de vários países.

Estas grandes corporações dividem-se num enorme número de representantes e de sucursais, com um monopólio bastante vasto, dotado de muitos bens e de fundos monetários. Por exemplo, empresas como a Nike encontram-se espalhadas pelo mundo, tendo assim várias fábricas, sobretudo, no continente asiático, em países como a China. Aí as condições de trabalho maximizam o lucro, sendo que mulheres e crianças trabalham muitas vezes com jornadas de mais de 8h para ganharem menos do que 1$ por dia. Estes locais são conhecidos como sweatshops (literalmente, “fábrica de suor”), destacando-se pelos piores motivos, pois os trabalhadores estão expostos a vários perigos e não lhes é dada nenhuma dignidade enquanto seres humanos. Assim, mais peças de roupa são enviadas para o ocidente para serem vendidas num centro comercial, sendo que vão passar de moda pouco tempo, levando as pessoas a continuar o ciclo do consumo.
Trabalhadoras vietnamitas numa fábrica da Nike (2005)
Esta deslocação de fábricas para outros continentes deve-se ao facto de aí a mão de obra ser mais barata (não sendo necessários seguros de trabalho ou a garantia de salários fixos), tal como os terrenos onde as fábricas são construídas. Para mais, as "zonas de comércio livre" oferecem também vários benefícios fiscais às empresas, que ficam isentas de impostos durante um certo tempo, findo o qual, normalmente, as companhias optam por mudar de sítio.
Para mais, estas empresas julgam-se acima da lei e muitas vezes fogem ilegalmente ao fisco, para gerarem ainda mais lucro. A sua influência política tende a aumentar a desregulação legislativa, prejudicando os trabalhadores e contribuindo para acentuar a diferença entre os mais ricos e os mais pobres (tal como tem vindo a suceder em Portugal desde o período da Troika).

Na aula de dia 27, foi mencionado o movimento Occupy Wall Street, sobre o qual decidi pesquisar mais. Basicamente, trata-se de uma ação de protesto começada a 17 de setembro de 2011 em protesto contra a desigualdade económica e social e a corrupção existentes nos Estados Unidos. Inicialmente, o movimento tomou conta de Wall Street, uma das sedes do sistema financeiro mundial, e depois espalhou-se um pouco por todo o mundo, denunciando a impunidade das grandes corporações que agravam a crise global e criam mais precariedade e instabilidade.
   Como também já foi referido em aula, este movimento baseia-se na ideia dos 99% contra o 1% da população que detém a maior parte da riqueza, mostrando como o atual sistema é injusto. Quando me vi confrontado com este movimento e com outros modos de insurreição, tentei procurar elos entre o que eu já conhecia e esta nova informação e creio que os gráficos que apresento em seguida resumem bem estas questões.

O Coeficiente de Gini, uma medida de desigualdade, de acordo com dados do Banco Mundial (2014)
Certamente que muitos de vocês já ouviram falar ou até já viram a série televisiva Mr. Robot, que lida com uma série de temas contemporâneos. Na 1ª temporada, a personagem principal, Elliot (interpretado por Rami Malek), é recrutado por um grupo ativista de hackers que se intitula como fsociety (um nome bastante sugestivo, a meu ver). O seu objetivo é planear um ataque contra a ECorp, uma multinacional com bastante influência sobretudo nos E.U.A. Este plano de realizar um dos maiores ataques cibernéticos de toda a história, visa redistribuir a riqueza existente no mundo.


Com este ataque, intitulado 5/9 (numa suposta relação com o 9/11, um acontecimento que mudou os E.U.A. e o mundo), os mercados são desestabilizados e a economia americana colapsa. Daqui advêm uma série de consequências, tais como: a redução do dinheiro em circulação; a negação do uso de cartões de crédito; a bancarrota da ECorp, que vai depois recorrer a um empréstimo à China; múltiplos protestos um pouco por todo o mundo.

Daqui também se pode destacar outro tema, a segurança. Toda a série mostra como é fácil aceder a uma série de informações sobre alguém, passando a conhecer múltiplos detalhes da sua vida. Por vezes, muito deste conteúdo é partilhado pelas próprias pessoas, obrigando o espetador a pensar naquilo que mostra ao mundo. Uma outra questão é a desconfiança relativamente ao governo, que, apesar de procurar soluções, acabará por abafar certas questões e evitar lidar com elas. O último tema que gostava de mencionar diz respeito às doenças mentais. Eliott sofre de paranoia esquizofrénica, um estado agravado quando toma substâncias psicoativas, que mudam bastante o seu comportamento. Para mais, sofre também de ansiedade social, sentindo-se constantemente observado pelas pessoas à sua volta. Contudo, a série mostra o que ele pensa sobre tudo isto (e até existem cenas em que ele fala com a sua psiquiatra, o que aprofunda a nossa reflexão) e demonstra que as doenças mentais (uma realidade muitas vezes são ignorada) são algo preocupante, digna da nossa compaixão.

Para rematar, cada vez mais nos apercebemos como o mundo trabalha através de complexos sistemas que vêm prejudicar pessoas mais do que ajudar. Porém, todos nós temos algo a dizer e podemos contribuir para uma mudança, por muito pequena que seja. Deixo-vos o trailer da temporada de Mr. Robot para provocar o vosso interesse no tema da injustiça social.


   Espero que apreciem a minha partilha. Boas férias de Carnaval!

Dinis Oliveira nº 153155

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Projeto Mellifluous Elephant

Partilho informação passada por uma ex-aluna que está a fazer a curadoria desta exposição para a inauguração da qual ficam convidad@s!
"A CASA DA DONA LAURA recebe a quinta e última edição do evento anual num prédio abandonado de Campolide. Uma exposição em que Mellifluous Elephant reúne artistas plásticos internacionais e nacionais que trabalham na área da instalação, da performance, do vídeo e do som numa semana com inaugurações, workshops e performances.

No dia 4 de Março realizar-se-à a inauguração pelas 18:30h que inclui um DJ Set e catering. Dia 7 de março peças 18:30h integrar-se-ão as peças dos artistas portugueses o que resultará numa nova exposição. Dia 8 de março pelas 18:30h começará um evento dedicado à mostra de vídeo e curtas bem como a performance."
 
 

Como a sociedade contemporânea afeta a nossa mente

Boa noite colegas,

Nas últimas aulas, temos vindo a abordar algumas das questões centrais da sociedade contemporânea, nomeadamente a nossa convivência diária e constante com a publicidade, e também a velocidade a que o nosso mundo está a evoluir, especialmente a nível tecnológico.
Quando lemos Nicholas Mirzoeff, vimos como a nossa sociedade é cada vez mais digital e, acima de tudo, visual. O autor insiste bastante na questão da velocidade de alteração do planeta Terra, questionando os caminhos que estamos a seguir enquanto coletivo. Para mais, aborda uma ideia que me remeteu imediatamente para um livro que prezo muito (e de que irei falar em seguida) - o modo como a industrialização alterou a nossa relação com o tempo se alterou, tornando-nos uma sociedade cada vez mais acelerada, consumista e insatisfeita. Estamos, à falta de melhor expressão, presos num ciclo vicioso: trabalhamos cada vez mais horas, para obter poder de compra, somos expostos a publicidade constante que nos faz sentir inferiores, e nos leva a consumir e voltamos ao início.
Além disso, como referimos hoje em aula e podemos ler nos textos de Naomi Klein, o que as marcas cada vez mais nos vendem são modos de vida, são ideias. Somos constantemente bombardeados por imagens, a uma velocidade estonteante. Hoje em dia, não só na publicidade, mas também nas redes sociais, em vídeos, música, é só escolher...

O autor que vos trago hoje, Matt Haig, começou a interrogar-se de que modo é que esta construção social estava a afetar a nossa saúde mental. Em Notes on a Nervous Planet, o autor reflete sobre a maneira como diferentes aspetos do mundo em que vivemos estão a aumentar os níveis de ansiedade da população mundial.
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Este livro trata a experiência do próprio autor, que em livros anteriores tinha explorado a sua experiência com depressão e ansiedade. Nele relata um momento em que teve uma recaída no seu processo de aprendizagem de lidar com estas doenças, durante o qual procurou perceber quais os elementos do seu estilo de vida que contribuíam para se sentir pior. Nisto, começou a perceber alguns padrões que se aplicavam não só à sua experiência, mas a uma experiência a nível global.
Num estilo de escrita episódico, vai retratando alguns temas que nos estão a manipular e a tornar mais ansiosos, tais como: imprensa e telejornais com manchetes sensacionalistas; a globalização da informação através da internet, que proporciona uma conectividade constante, mas que simultaneamente, nos bombardeia com mais informação do que aquela com que estamos equipados para lidar; a normalização de comportamentos aditivos, nomeadamente no uso das redes sociais; o excesso de trabalho e a diminuição do tempo pessoal e de descanso; a perpetuação de ideais irrealistas sobre a nossa vida e a nossa imagem.
Na base de todas estas ideias, está uma crença que atravessa as suas obras, a ideia de que o nosso legado cartesiano — que nos leva a conceptualizar a mente como estando separada do corpo, regulando-nos pela máxima "Penso, logo existo" — não é necessariamente a resposta para todas as questões, pois existem ligações profundas entre o nosso corpo e a nossa mente. Por esta mesma razão, o seu trabalho vai sempre no sentido de normalizar as doenças do foro psicológico e clarificar o estigma em seu redor. Fazendo-o por vezes com muito humor, como é o caso desta página que vos apresento:


A grande conclusão de Matt Haig — relacionada com uma citação de Mirzoeff, no final do texto estudado ("what once took centuries, even millenia, happens in a single human lifetime") — é que a evolução estonteante da nossa sociedade a nível cultural e tecnológico (pensemos que grande parte do chamado primeiro mundo em que habitamos se desenvolveu maioritariamente durante os últimos dois milénios, se tanto) convive com um ser humano incapaz de se desenvolver do mesmo modo a nível biológico, durante esse período. Ou seja, os nossos cérebros e os nossos corpos não estão ainda preparados para saberem conviver com o mundo atual.

Deixo-vos ainda um vídeo em que Haig discute o livro, para o canal BBC, caso tenham curiosidade em ouvi-lo discutir estes assuntos.


Ainda que acreditemos estar a evoluir, ainda que a raça humana se continue a adaptar, podemos fazer várias pergunta: Em que direção estamos realmente a evoluir? Será que estamos a criar um futuro sustentável, para os nossos corpos e para a terra? Como nos estamos a relacionar com a tecnologia e com o mundo, e quais as consequências que estas relações terão na nossa vida a longo prazo?

Espero que tenha aguçado a vossa curiosidade para explorarem este autor, que vos recomendo imensamente!

Resto de boa noite e até sexta feira,

Leonor Madureira 150360