Com toda esta
situação de isolamento que estamos a passar trago uma sugestão para os
"tempos-livres". Porque a televisão pública não é só touradas e Preço
Certo, a RTP transmitiu o documentário Propaganda:
A Arte de Vender Mentiras, de Larry Weinstein (2019), disponível na
RTPPlay até 20 de março.
Independentemente de concordarmos ou não com as perspetivas apresentadas, este
documentário oferece algumas visões interessantes sobre a temática da propaganda,
abordando desde os tempos mais antigos até à atualidade. Através desta linha
temporal, debatem-se questões como a liberdade de expressão, o valor da
"verdade" ou a construção de realidades, entre outras. Vemos o modo
como as imagens e os discursos são manuseados para moldar o nosso quotidiano,
tal como temos vindo a abordar na cadeira Cultura Visual.
Estamos a chegar ao fim, e queria refletir um bocadinho sobre algumas coisas essenciais que debatemos ao longo deste semestre. Assim, vou partilhar uma curta vencedora de um Óscar e premiada também no Festival de Cannes, cujo título é Logorama (2009). De modo resumido, o filme representa um universo utópico, no qual Los Angeles se transformou numa sociedade completamente dominada por marcas e produtos. Trata-se de uma história que a princípio nos parece completamente absurda, pela sua violência e excesso — no entanto, se pensarmos no habitual filme de Hollywood apercebemo-nos de que não é assim tão diferente, trata-se apenas, aqui, de um olhar irónico e crítico.
Este filme reflete sobre duas questões que são de importância máxima para o que temos vindo a discutir ao longo do semestre, nomeadamente a hegemonia visual da publicidade no espaço-tempo contemporâneo. Naomi Klein desconstrói esta espécie de monopólio do branding que se tem vindo a generalizar na sociedade atual. Também John Berger declara que a publicidade incentiva ao consumo mediante a criação de infelicidade e de inveja no consumidor, sugerindo que deverá consumir/possuir para ser alguém, definindo-se enquanto indivíduo mediante a identidade que a marca providencia. Como discutimos ao longo do semestre, em última instância, isto retira-nos o agenciamento individual, tornando-nos meros consumidores.
Podem ler aqui um artigo sobre Logorama, cujo trailer vos deixo.
A segunda questão que quero explorar é o alerta deixado por este filme para um outro poderoso veículo ideológico — a indústria fílmica de Hollywood, e o modo perpetua uma série de estereótipos e representações que, mais uma vez, nos retiram a possibilidade de agir no mundo sem estarmos povoados por estas expectativas irrealistas e idílicas do que é a vida. Remeto-vos igualmente para um outro filme, Romantic Comedy, este de 2019, realizado por Elizabeth Sankey, que explora exatamente estas questões, abordando para isso o universo das comédias românticas e, especialmente, a representação da mulher e do homem nas mesmas. Podem ver igualmente o trailer abaixo.
Neste sentido, podem entender que mesmo estando estes filmes separados por um espaço de dez anos, as preocupações dos realizadores são essencialmente da mesma ordem — ambos remetem para um olhar crítico sobre dois veículos ideológicos que controlam os indivíduos, espartilhando-os com as suas idealizações, exigências e expetativas.
Apesar disto, não estamos num mundo sem esperança. Existirem autores que nos convidam a refletir sobre estas questões, é prova disto — de um modo geral, a mensagem que podemos retirar daqui, para a nossa vida futura, será sempre, estejamos atentos de modo a desenvolvermos o nosso próprio olhar. Levantemos questões Procuremos informação e sejamos críticos em relação ao que vemos, desconstruindo o mundo ao nosso redor. E continuemos a construir o nosso modo de ver, para que seja o mais completo e o mais justo possível, face ao mundo que temos e às possibilidades que se encontram ao nosso dispor, para nele agirmos.
Obrigada por lerem, continuação de bom percurso académico a todos, e bom descanso!
Agora que chegámos ao final do semestre, todos temos uma maior compreensão sobre o que é a Cultura Visual. Desviando-me um pouco do contexto do discurso publicitário, que temos lido e analisado à luz desta disciplina, gostaria de aplicar noutras áreas as ferramentas ganhas pelo estudo de Cultura Visual.
Se há duas ideias que retirei do Ways of Seeing do John Berger, elas são: a influência do tempo e o papel da arte no modo como lemos o que nos rodeia. Digo leio, porque não se trata apenas de ver, mas de interpretar o que se dá ao nosso olhar. Assim, venho apresentar-vos um vídeo de análise fílmica chamado Now You See It, sobre o significado de um determinado padrão ao longo da história do cinema. Trata-se do padrão visual mais reconhecível e, possivelmente, o mais utilizado— riscas.
Ora, estamos habituados a ver este padrão em diversos sítios, nomeadamente para chamar a atenção do espetador. Com efeito, as riscas são o padrão que mais se destaca dado o contraste extremo entre os seus elementos. Mesmo quando as cores contrapostas são de tons muito semelhantes, este padrão chama de imediato a atenção do espetador. É por este motivo que este é um padrão tão frequente em bandeiras, faróis ou sinais que exigem a nossa atenção.
As riscas são um padrão inspirado em elementos da Natureza, a saber nas zebras. O contraste agressivo das listas pretas e brancas das zebras provoca confusão ao olhar alheio, não sendo possível concluir de que cor é o "fundo" do seu padrão. Aliás, a questão "De que cor são as zebras? São pretas com riscas brancas ou brancas com riscas pretas?" é tão inconclusiva quanto o famoso dilema natural: "O que veio primeiro, o ovo ou a galinha?". E a espécie humana tem adotado, ao longo dos séculos, este padrão.
No séc. XII, um grupo de religiosos católicos vindo das cruzadas chegou à Europa vestido às riscas, sendo fortemente ridicularizado. Isto levou o Papa a banir este tipo de vestes, tornando-se o padrão riscado um símbolo para os marginais. De facto, se olharmos para a pintura da Idade Média e do Renascimento, as personagens representadas com trajes às riscas são bobos, prostitutas, traidores, vítimas da Peste Negra, etc. Isto, numa época em que o modo de vestir refletia em absoluto o estatuto social de cada um.
Facilmente as riscas passaram a simbolizar o Mal, o Diabo e Monstros. No cinema, encontramos um exemplo desta simbologia nas meias riscadas da Bruxa Má do Feiticeiro de Oz. Este significado foi apropriado, do ponto de vista prático, para destacar os prisioneiros, vestindo-os de cima a baixo com este padrão. Prática que, até à Segunda Guerra Mundial, continuou a realizar-se, abandonando-se depois, para evitar a referência aos campos de concentração Nazi.
No entanto, na época moderna, começaram a surgir novas interpretações para este padrão, das quais se destaca o contributo dado pela bandeira da revolução, e da nova nação que daí emerge — os Estados Unidos da América. As riscas ganharam, assim, uma simbologia de resistência. Quem usasse riscas continuaria a demarcar-se do resto da sociedade como marginal, mas não no sentido moral e religioso. Com a ideia de revolução, as riscas começaram a apontar para um indivíduo livre, único. Esta interpretação, oposta à proposta na Idade Média, apenas contribui, na verdade, para exaltar o carácter contraditório deste padrão, isto é, a sua natureza contrastante.
No cinema, a utilização das riscas tem em especial atenção a espessura das mesmas. Começando por utilizar este padrão no guarda-roupa de gangsters, exaltando a sua marginalidade, e depois em homens de negócios, os designers encarregues da caracterização optavam por riscas mais grossas para personagens extravagantes e obviamente "trapaceiras", relegando as riscas mais estreitas a figuras mais elegantes e contidas.
Há, ainda, uma linha interpretativa a ser mencionada, que se prende a relação entre as crianças e a higiene. Mais uma vez, temos de nos remeter à Idade Média, em que as roupas interiores eram simplesmente brancas, por ser da opinião pública que as tintas utilizadas para tingir as vestes eram uma forma de contaminação, por oposição à pureza do branco. Contudo, no séc. XX, as riscas apareceram como uma forma fácil de estilizar pijamas, antes brancos, e outros tipos de roupa "não exterior". Assim, as riscas passaram a ser comuns no vestuário infantil, como significantes de higiene. Mas, se pensarmos na natureza das crianças - ingénua, imaginativa, brincalhona -, não se enquadrando por completo com o "socialmente aceitável", aludindo também aos bobos medievais, as riscas continuam a manter parte do seu significado original.
O vídeo que vos tenho vindo a apresentar realça um exemplo particular do uso complexo das riscas no cinema: o filme Juno. Além de ser o padrão mais utilizado no seu vestuário pela protagonista, a história do seu significado reflete na perfeição a personalidade de Juno. Uma adolescente infantil, rebelde e que se destaca dos jovens da sua idade, graças ao seu modo de falar assertivo e exuberante. Além do mais, enquadra-se no grupo de marginais da sociedade, ao tratar-se de uma jovem de 16 anos grávida, com gostos peculiares que, mais uma vez, a fazem destacar-se das outras pessoas.
Termino, por fim, a minha apresentação/exposição do vídeo, que elabora ainda mais sobre o uso de riscas no cinema.
Caso tenham gostado do vídeo, aconselho-vos fortemente a seguir este canal de Youtube.
Até à próxima!
Vi este documentário quando chegou às nossas salas de cinema, por recomendação de um colega vosso. Foi uma viagem incrível, e fico feliz por poder partilhá-lo agora convosco. Sigam este link e vejam como o futuro é agora!
Boa tarde colegas, hoje venho partilhar convosco um pequeno vídeo. Penso que este vídeo descreve uma parte do que estudámos ao longo deste semestre, apresentando o ser humano como destruidor implacável do planeta, em benefício de um estilo de vida consumista, bem como a destruição que daí advém.
Ao longo da nossa história, temos vindo a destruir o planeta, pouco a pouco. Cada vez mais presenciamos catástrofes naturais como tempestades, mudanças climáticas, secas, cheias ou tornados, consequências diretas do comportamento humano. Com a evolução da espécie fomos ficando mais inteligentes, aprendendo a tirar partido daquilo que nos rodeia. A grande questão que aqui se coloca é se realmente é necessária tanta destruição só para termos uma melhor qualidade de vida. Provavelmente existem coisas que não precisavam de ser produzidas em massa devido à sua durabilidade; no entanto, são produzidas em enormes quantidades porque só assim se conseguirá obter lucro. A destruição de enormes extensões de espaço natural e de inúmeros habitats de espécies que acabam por se extinguir são as principais consequências do sistema capitalista em que estamos inseridos. Ao comprarmos coisas a mais ou coisas de que não precisamos estamos a contribuir para este sistema, mesmo que não nos apercebamos.
Todavia, não se trata apenas de consequências para o planeta. Cada vez mais, devido a produtos transgénicos e a alimentos com hormonas de crescimento rápido (usadas nas carnes, principalmente) o número de doenças aumenta. Não só estamos a prejudicar o planeta como nos estamos a prejudicar a nós próprios. Segundo alguns estudos científicos, ainda estamos a tempo de mudar e não é tarde para reverter uma parte dos danos causados: temos cerca de 12 anos para o fazer. É verdade que teríamos de fazer enormes mudanças na forma como vivemos, mas isso não significa de todo que perderíamos o que temos hoje em dia. Devido às energias renováveis, cada vez mais temos opções menos poluentes. Todavia estas ainda são bastante caras para o cidadão comum, pois não estão implementadas como a norma a seguir. Um exemplo disto são os carros. Um carro elétrico (norma não implementada mas menos poluente) é mais caro do que um carro que trabalha com energias fósseis (norma implementada mas extremamente poluente). Devido ao pouco tempo disponível, penso que cada vez mais os governos e as empresas deveriam começar a adotar leis ecológicas e estratégias de produção não poluentes. Termino este post deixando-vos uma pergunta sobre a qual espero que reflitam: Será que vale a pena acabarmos os nossos dias como o boneco do vídeo, sozinhos e rodeados de lixo proveniente da nossa excessiva produção, ou será melhor tornarmo-nos amigos do ambiente?
Hoje venho partilhar convosco
a forma como diariamente somos enganados através das séries e dos filmes que
assistimos no nosso tempo livre.
Tudo começou quando
eu estava sentada no sofá lá em casa a ver um filme, em que havia uma cena
cujo foco principal era um grande jantar. Dei por mim a questionar-me se aquela
comida que aparecia no ecrã era verdadeira ou não. Devido ao realismo da mesma o meu subconsciente afirmava que sim; por outro lado pareceu-me tratar-se de um
enorme desperdício de comida apenas para gravar uma única cena, num filme que
dura apenas duas horas. Decidi ir pesquisar e confirmei o que já suspeitava — a maioria da comida utilizada nos filmes é um adereço e assim um mesmo bolo ou bebida pode ser usada várias vezes ao longo do filme, pois não tem prazo de validade. Se necessário pode até ser utilizado em
diferentes filmes que nada tenham em comum. Mais, descobri ainda que existem pessoas especializados neste tipo de trabalho, recorrendo aos mais variados materiais para comporem as suas obras e fazê-las
parecer o mais realista possíveis.
Porém, ao longo da
minha pesquisa não pude deixar de me sentir um pouco enganada, pois apercebi-me
de que aquela bebida que a personagem principal da nossa série favorita consome e
que nós também ansiamos por consumir não é real e não passa de um pedaço de plástico.
Comecei a refletir sobre tudo isto e apercebi-me que tudo se encontra ligado. Vejamos
este exemplo, numa série de sucesso as personagens têm o hábito de consumir
bebidas de uma determinada marca (por exemplo, nos filmes estado-unidenses isso é bastante visível
com as bebidas vindas do Starbucks) e nós, ao vermos a série, também queremos consumir
essas bebidas, pois assim ficaremos um pouco mais próximos do estatuto das personagens que tanto idolatramos. Claro que na prática
estaremos apenas a beber uma bebida. Contudo, cada vez mais Hollywood vende a
ideia de que no mundo real podemos ter algo que faz parte do mundo ficcional, através de ações quotidianas como
comer. Quando um filme, uma série gravam as suas cenas num
determinado sítio com um menu específico, os alimentos e o próprio
espaço adquirem uma aura mundo
ficcional, que nós poderemos partilhar, através do simples ato de comprar. As
marcas que se associam a esta iniciativa têm o objetivo não só de se
distinguirem das restantes concorrentes, como também de lucrarem com isso. Assim
sendo, muitas vezes a comida e a bebida apresentadas nestas séries
ou filmes são mais caras do que as suas congéneres (por exemplo, o café do Starbucks
é sempre mais caro do que o café normal, embora sejam produtos semelhantes). A etapa
final deste processo é o facto de através desta publicidade indireta feita nos
grandes ecrãs de Hollywood cada um de nós ser incitado a comprar algo que lhe
dará um estatuto, contribuindo assim para o processo
capitalista. É importante relembrar que dei aqui como exemplo a comida, pois
foi daí que surgiu a ideia para este post; no entanto, isto não se aplica só a comida, como também a roupa, acessórios, marcas de cigarro ou mesmo tintas para o cabelo, entre muitas outras
coisas que podem aqui ser incluídas.
Termino deixando um vídeo
que explica como é feita a comida falsa e mostra que mesmo a comida aparentemente consumida pode não ser real!
Durante este semestre tenho-me deparado com várias temáticas que me fazem raciocinar, sentir e estar atenta ao que me rodeia, desde o mundo até às pessoas. Uma dessas temáticas é a empatia. Parece um conceito tão óbvio, tão familiar, mas será mesmo assim tão simples?
Há aspetos a mencionar no vasto campo da empatia, um deles (que pretendo explorar hoje) é a compreensão. Qual será a importância de ouvir e entender o outro? Será que devemos ouvir sempre? Devemos evitar ser confrontados com aquilo de que discordamos?
Em relação à última pergunta trago-vos uma TED Talk, na qual é discutida e apresentada a importância de nos relacionarmos com opiniões das quais discordamos.
Why it's worth listening to people you disagree with
- Zachary R. Wood
Pode parecer algo contraditório dar tempo de antena a quem nos antagoniza, mas, se virmos a questão sob outro ponto de vista, podemos vir a ganhar duas coisas: um nova forma de pensar e de ver e, eventualmente, a certeza absoluta de que não concordamos com o que nos dizem e estamos dispostos a lutar pelos nossos princípios. Ficamos sempre a ganhar! É através do desconforto que por vezes aprendemos as coisas mais marcantes, por isso acredito que este seja um método que nos ajude a realizar uma constante evolução tanto em relação aos outros como a nós mesmos.
Com a aproximação do mês de abril achei importante partilhar mais
informações sobre o autismo, cujo dia internacional é 2 de abril. Também conhecido como Transtorno do Espectro do Autismo,
esta doença afeta mais de 70 milhões de pessoas e, consequentemente, as suas
famílias. As pessoas por ela afetadas interpretam o mundo de uma forma
singular, prestando atenção a detalhes que provavelmente escapariam ao
indivíduo comum, como é exposto no vídeo, sendo denominados como seres com “um tipo de
brilho diferente”.
Durante toda a minha vida ouvi falar
sobre autismo como algo muito vago ou longe, desde piadas de mau gosto a
controvérsias sobre vacinar ou não os filhos, mas esta causa nunca me havia
originado tanto interesse, visto que nunca tinha estado em contacto direto com
alguém dentro do espectro.
O meu interesse foi primeiramente
despertado quando vi o filme Um rapaz
chamado Po (2016) (podem ver alguns minutos do filme aqui), realizado por John Asher, explorando a vida de um pai viúvo que
tenta auxiliar o filho com autismo. Para além de uma realização magnífica, este
filme consegue transmitir o sofrimento e a impotência sentidos por um pai incapaz
de comunicar com o filho. A forma como a ação se desenrola criou em mim uma
grande empatia (chorei imenso durante o filme!), que me levou a imaginar como
seria estar no lugar daquele pai fictício; ainda para mais, sabendo que esta é
uma realidade vivida em muitas famílias. O filme expõe não só o olhar de Po
que, de um modo muito verosímil, parte da realidade para criar lugares e amigos
imaginários, como ainda os problemas que isto implica e as dificuldades vividas
para os ultrapassar.
Após ver o filme, fui imediatamente
pesquisar mais sobre a doença para perceber como poderia ajudar. Descobri que o
mês de abril é dedicado à promoção da consciencialização do autismo já há 12
anos. Foi criado o hashtag #LightItUpBlue, sendo o azul a cor representativa da causa. Para trazer mais reconhecimento e
criar maior aceitação para a doença, as pessoas vestem-se de azul, participam
em caminhadas e corridas, fazem doações monetárias e alguns monumentos são
iluminados de azul, um pouco por todo o mundo.
Em Portugal, a corrida e a caminhada realizadas anualmente vão ter lugar na cidade do Porto, dia 7 de abril de 2019. Sigam este link para mais informações sobre a inscrição.
A forma como a publicidade nos
influencia tem sido um tema tratado ao longo de todo o semestre.
Todavia, já repararam que desde pequenos somos levados a consumir de forma desenfreada,
sem se quer nos apercebermos disso?
Trago aqui, como exemplo, algumas
séries (infelizmente não consegui encontrar os vídeos na língua original, apenas
a versão dobrada em português do Brasil) que fizeram parte da minha infância, e
muito provavelmente da vossa.
Primeiramente, vou focar-me na série Zack e Cody: Todos a Bordo. Uma das duplas cómicas desta série é constituída por London e Bailey, duas personagens femininas radicalmente diferentes. No episódio 12 da 2ª temporada, há um concurso de beleza, onde, numa das etapas, as concorrentes têm de demonstrar o seu talento.
Bailey escolheu demonstrar a sua inteligência apresentando uma forma de melhorar o mundo. Atentemos agora na performance de London.
Notaram a diferença? Enquanto Bailey foi considerada aborrecida, Londonfoi aplaudida de pé devido ao seu "talento".
Ao rever este episódio comecei a refletir sobre o modo como a identidade feminina é moldada através do constante apelo ao consumo, sendo que a inteligência é preterida em relação à sensualidade.
Chegando ao fim deste episódio questionei-me se seria apenas nesta série que esta situação ocorria e então decidi alargar a minha pesquisa.
Descobri então outro exemplo de como a identidade das personagens é moldada pelos seus bens, e as figuras femininas mais inteligentes provocam o riso (i.e., são depreciadas), como se vê no episódio 1 da temporada 4 de Hannah Montana, quando Miley (a personagem principal) e Lily (a sua melhor amiga) veem o novo quarto da primeira, após a família ter mudado de casa.
Como se vê neste fragmento, o real problema das duas amigas prende-se com o medo de alguém da escola ver o quarto e as rejeitar, fazendo com que percam o seu estatuto.
O objetivo deste post não é denegrir estas séries, pois apesar de tudo continuo a achá-las engraçadas. O objetivo é demonstrar que nas narrativas que as crianças consomem como fonte de entretenimento podem estar "escondidas" questões mais complexas. Ao verem a série as crianças ambicionam tornar-se como as personagens que tanto admiram, e para isso terão de consumir muito e focarem a sua energia não em cultivar a inteligência, mas a sensualidade e a popularidade entre os seus pares.
Olá colegas! Inspirei-me na nossa última aula para fazer este post,
visto que mencionámos Joanna Macy e o seu trabalho como ativista. Nela vimos um vídeo em que Macy discursava, numa manifestação — a March for Nuclear Abolition & Global Survival, que se realizou a 6
de agosto, de 2018. Este foi um movimento de protesto pacífico, que evocou os ataques a Hiroshima e Nagasaki, de que irei falar mais à frente.
Atualmente, existe um grande número de
países que trabalha com energia nuclear,
como é caso dos EUA, que origina a produção de lixo tóxico,
prejudicial para o meio ambiente e para a vida. Esta tecnologia foi também usada para fazer armas mortíferas que já tiraram a vida a milhares de pessoas e afetaram muitas outras. Macy
critica o uso de armas deste tipo e a destruição maciça que causam, mencionando
também que é necessário prevenir uma possível guerra nuclear. Como fazer isto?
Unindo-nos e criando um movimento de protesto, pois as pessoas,
segundo as palavras da ativista, funcionam como uma “cola”. Elas podem manter o
mundo unido, desde que estejam juntas e escolham colaborar entre si. Macy também
menciona que se pode fazer diferença, por mais pequena que seja, bastando
começar pela nossa comunidade ou família, pelos nossos amigos ou colegas de trabalho.
De momento, cresce um
desejo coletivo de justiça climática e pretende-se encontrar um equilíbrio no mundo. O planeta não pode continuar a ser sacrificado, tanto a nível dos ecossistemas naturais como das comunidades humanas, para que um pequeno grupo possa
enriquecer e viver no seu pedestal de egoísmo e hipocrisia. Cada vez mais se
“rouba” o futuro às gerações mais novas — a mim e vocês, a crianças na escola, a
bebés, a outros que estão por nascer. Este sistema vai ter de mudar, pois
estamos a ir por um caminho de autodestruição e o ser humano está a tornar o
planeta inabitável. Para terminar esta linha de pensamento, acabo com a frase de Macy que mais me tocou: “a mudança
vem, quer queiramos ou não”.
Já aconteceram vários desastres nucleares, como é
o caso de Chernobyl e de Fukushima, ambos considerados de enorme gravidade (como podemos ver na escala abaixo apresentada), não só para
o meio envolvente como para o planeta em geral. O primeiro ocorreu a 26
de abril de 1986, na cidade de Pripyat, atual Ucrânia (que na altura fazia
parte da U.R.S.S.). Houve uma explosão e um incêndio, lançando na atmosfera grandes quantidades de partículas radioativas que se espalharam pela Europa e pela Ásia, chegando até ao continente americano. Foram várias as mortes imediatas que se deram com a explosão e incêndio do reator; o facto de milhares de pessoas serem expostas à radiação provocou inúmeros problemas de saúde. Atualmente, a cidade encontra-se praticamente sem habitantes e o risco
de radiotividade ainda elevado.
A Escala Internacional de Acidentes Nucleares, sendo que os desastres de Chernobyl e Fukushima são considerados de nível a 6 a 7.
A cidade fantasma de Pripyat, atualmente.
O acidente de Fukushima,
em Ōkuma (Japão), aconteceu a 11 de março de 2011, sendo provocado pela combinação de um
terramoto e um tsunami. O desastre em si, não provocou nenhuma morte, que se saiba,
porém foram várias as pessoas que ficaram expostas a resíduos tóxicos, não de
forma tão agressiva como em Chernobyl. As águas junto à cidade acabaram
por ficar contaminadas, sendo que ainda hoje se fazem limpezas na zona. Houve,
contudo, quem tenha falecido, mas em consequência dos desastres naturais. Tal como
em Pripyat, Ōkuma foi evacuada, sendo também atualmente uma cidade-fantasma; contudo
houve quem tenha regressado à cidade após o acontecimento.
Cães vadios lutam nas ruas desertas de Ōkuma.
Hoje sabe-se que
estas instituições não tinham capacidade ou segurança para lidar com situações
destas, sendo que a falta de vigilância também será uma das prováveis causas destes desastres. Contudo, como sabemos as armas nucleares foram intencionalmente usadas pelos E.U.A. durante a 2ª Guerra Mundial
(1939-1945). Os bombardeamentos atómicos das cidades de Hiroshima e Nagasaki
(Japão), a 6 e 9 de agosto de 1945, respetivamente, provocaram mais de 246.000
mortos, incluindo aqueles que posteriormente pereceram devido aos efeitos da radiação. É de realçar que os sobreviventes ficaram marcados para a
vida com cicatrizes e/ou doenças (nomeadamente de origem cancerígena) e muitos bebés que nasceram
posteriormente tinham deformações. Este foi o
primeiro e único momento na história em que foram usadas armas nucleares contra alvos civis.
Fotografia de Hiroshima após o lançamento da bomba.
Este tipo de armamento deve ser supervisionado e, idealmente, proibido devido ao seu poder imensamente destrutivo. Para mais, o lixo tóxico dura milhares ou mesmo milhões de anos, pelo que fica guardado em contentores (com duração de algumas centenas de anos, apenas, para as próximas gerações resolveram o problema).
Embora o nosso país não tenha nenhuma central nuclear e esteja a investir em energia renovável, acabamos por ser afetados
pela central de Almaraz (estrategicamente colocada junto à fronteira com Portugal), que espalha resíduos no Tejo, cujas águas desaguam no oceano Atlântico. É importante pensarmos nestas questões destas e escolhermos qual é a história
para a qual queremos contribuir.
A central nuclear de Almaraz.
::::::::::
Gostaria de contribuir para a discussão pensando a série American Horror Story: Apocalypse
(já na 8ª temporada), com ação centrada na
Costa Oeste dos Estados Unidos da América, num futuro próximo. Esta distopia apresenta um mundo apocalíptico, de superfície inabitável devido a várias explosões nucleares, devido aos elevados níveis
de radiação. Contudo, foram sendo construídos outpostspor todo o mundo — uma espécie
de abrigos subterrâneos, habitados, sobretudo, por pessoas com meios financeiros necessários para tal, uma elite denominada Purples, devido à cor da roupa que usam. Também há quem tenha
sido escolhido pela sua condição genética, de forma a repupular a
Terra depois deste desastre.
O aspeto exterior e interior (respetivamente) do Outpost 3, o principal espaço onde decorre o enredo desta temporada.
Uma das imagens promocionais da temporada.
Algumas das personagens com fatos preparados para virem à superfície, onde o nível de radiação é extremo.
A exploração desta temática mostra como o
nosso sistema político é frágil e as nações se encontram em constante conflito, como temos visto relativamente aos E.U.A. / Coreia do Sul e à Coreia do Norte (apoiada pela China), por exemplo. Se formos incapazes de chegar a acordos de paz, o nosso fim estará mais próximo.
Os outposts da série lembram os bunkers, abrigos subterrâneos blindados ou fortificados, vendidos por múltiplas empresas
que até entregam ao domicílio. Dependendo do tipo de bunker, falamos de um investimento de milhares ou até milhões de euros/dólares (o valor mais elevado que vi foi 12 milhões). Alguns bunkers são mais pequenos, com uma ou duas divisões,
enquanto outros são literalmente suites ou penthouses,
até com vários pisos. Pela quantidade de empresas que vi online, parece que é um negócio lucrativo. As pessoas estão a tornar-se cada vez mais paranoicas e assustadas. Será que há uma verdadeira razão
para este medo? Muito do que vemos é sensacionalismo, outras notícias são verdade, mas
parece que há quem se preocupe em ter um lugar efetivamente seguro, caso
algo corra mal.
Aspeto de um bunker da empresa Vivos.
Encontrei mais informação neste artigo online:“Segundo dados da ‘CNN’, as vendas de 2016,
em relação a 2015, de bunkers ou abrigos subterrâneos sofisticados [cresceram]
700%, enquanto que as vendas globais cresceram 300% desde a eleição de Donald
Trump. Um desses abrigos, o ‘Vivos xPoint’, nos EUA, consiste em 575 bunkers
militares que serviram como depósito de munições do exército até 1967.
Atualmente, está a ser convertido numa área que visa acomodar
aproximadamente 5.000 comunidades. (...) O próprio complexo será equipado com todos os confortos de uma pequena
cidade, incluindo um teatro comunitário, salas de aula, jardins hidropónicos,
uma clínica médica, um spa e um ginásio. As estruturas fortificadas vêm
equipadas com sistemas de energia, sistemas de purificação de água e filtragem
de ar nuclear-biológico-químico”.
Uma destas empresas, chamada Vivos, tem complexos na Europa, e afirma que os seus abrigos podem
salvaguardar de ameaça nuclear, terrorismo, bioterrorismo (em que se se utilizam armas biológicas, vírus ou toxinas), ameaça anárquica,
pulsos eletromagnéticos (gerados por explosão nuclear), erupções solares (que causam
perturbações eletromagnéticas), deslocamento dos polos, embate de
cometa, tsunamis, Planeta X/Nibiru
(colisão de um astro do tamanho de um planeta) ou de um grande vulcão. De
forma a enfatizar ainda mais o medo nas pessoas, no site encontra-se a frase “One Day You'll Wish You Could Get In”. Assustador...
Um complexo de bunkers da empresa Vivos.
Finalmente, quero ainda
mencionar um videojogo que explora o medo da aniquilação nuclear — o Fallout, da RPG, distribuído pela Bethesda Softworks, Já joguei o Fallout: New Vegas, passado no ano de 2281, no deserto de Mojave, e na cidade de New
Vegas uma visão pós-apocalíptica da atual Las Vegas, conhecida nesta época do futuro como Sin
City. Todo o jogo tem influências da cultura americana dos anos 1950, contudo a tecnologia encontra-se muito mais avançada do que hoje.
Aqui também existem uma espécie de bunkers/abrigos, que se chamam vaults, onde a população (que conseguiu) se refugiou após uma guerra nuclear; os sobreviventes que ficaram à superfície têm um aspeto monstruoso. Neste mundo não há propriamente
um governo fixo, vivendo-se numa espécie de anarquia, onde
vários grupos atuam conforme os seus desejos e necessidades.
A cidade de New Vegas, comandada pelos casinos que aí se encontram.
Publicidade feita, dentro do jogo, mostrando um vault, que pretende assegurar a segurança dos habitantes da ameaça nuclear.
Espero que gostem
da partilha... apesar de ser uma publicação um pouco longa.
Impõe-se a questão... Afinal, quem comanda tudo isto? Pensamos que seriam os governos das várias nações,
mas parece que tal não acontece. As corporações passaram a liderar e a a exercer poder, a ponto de influenciarem os governos de vários países.
Estas grandes corporações dividem-se num
enorme número de representantes e de sucursais, com um monopólio bastante
vasto, dotado de muitos bens e de fundos monetários. Por exemplo, empresas como a Nike
encontram-se espalhadas pelo mundo, tendo assim várias fábricas, sobretudo, no
continente asiático, em países como a China. Aí as condições de trabalho maximizam o lucro, sendo que mulheres e crianças trabalham muitas vezes com jornadas de mais de 8h para
ganharem menos do que 1$ por dia. Estes locais são conhecidos como sweatshops
(literalmente, “fábrica de suor”), destacando-se pelos piores motivos, pois os trabalhadores estão expostos a vários perigos e não lhes é dada nenhuma
dignidade enquanto seres humanos. Assim, mais peças de roupa são enviadas para
o ocidente para serem vendidas num centro comercial, sendo que vão passar de moda pouco tempo, levando as pessoas a
continuar o ciclo do consumo.
Trabalhadoras vietnamitas numa fábrica da Nike (2005)
Esta deslocação de fábricas para outros continentes deve-se ao facto de aí a mão
de obra ser mais barata (não sendo necessários seguros de
trabalho ou a garantia de salários fixos), tal como os terrenos onde as fábricas são construídas. Para mais, as "zonas de comércio livre" oferecemtambém vários benefícios fiscais às empresas, que ficam isentas
de impostos durante um certo tempo, findo o qual, normalmente, as companhias optam por mudar de sítio.
Para mais, estas empresas julgam-se acima da lei e muitas vezes fogem ilegalmente ao fisco, para gerarem ainda mais lucro. A
sua influência política tende a aumentar a desregulação legislativa, prejudicando os trabalhadores e contribuindo para acentuar a diferença entre os mais ricos e os mais pobres (tal como tem vindo a suceder em Portugal desde o período da Troika).
Na aula de dia 27, foi mencionado o movimento Occupy Wall
Street, sobre o qual decidi pesquisar mais. Basicamente, trata-se de uma ação de protesto começada a 17 de setembro
de 2011 em protesto contra a desigualdade económica e social e a
corrupção existentes nos Estados Unidos. Inicialmente, o
movimento tomou conta de Wall Street, uma das sedes do sistema financeiro mundial, e depois espalhou-se um
pouco por todo o mundo, denunciando a impunidade das grandes corporações
que agravam a crise global e criam mais precariedade e instabilidade.
Como também já foi referido em aula, este movimento baseia-se na
ideia dos 99% contra o 1% da população que detém a maior parte da riqueza, mostrando como
o atual sistema é injusto. Quando me vi confrontado com este movimento e com outros modos de
insurreição, tentei procurar elos entre o que eu já
conhecia e esta nova informação e creio que os gráficos que apresento em seguida resumem bem estas questões.
O Coeficiente de Gini, uma medida de desigualdade, de acordo com dados do Banco Mundial (2014)
Certamente que muitos de vocês já ouviram falar ou até já viram a série
televisiva Mr. Robot, que lida com uma série de temas contemporâneos. Na 1ª temporada, a personagem principal, Elliot (interpretado
por Rami Malek), é recrutado por um grupo ativista de hackers que se intitula como fsociety (um nome bastante sugestivo, a meu ver). O seu objetivo é planear
um ataque contra a ECorp, uma multinacional com bastante influência sobretudo nos E.U.A. Este plano de realizar um dos maiores ataques cibernéticos de toda a história, visa redistribuir
a riqueza existente no mundo.
Com este ataque, intitulado 5/9 (numa suposta relação com o 9/11, um
acontecimento que mudou os E.U.A. e o mundo), os mercados são desestabilizados
e a economia americana colapsa. Daqui advêm uma série de consequências, tais como: a redução
do dinheiro em circulação; a negação do uso de cartões de crédito; a bancarrota
da ECorp, que vai depois recorrer a um empréstimo à China; múltiplos protestos
um pouco por todo o mundo.
Daqui também se pode destacar outro tema, a segurança. Toda a
série mostra como é fácil aceder a uma série de informações sobre
alguém, passando a conhecer múltiplos detalhes da sua vida. Por vezes, muito deste conteúdo é partilhado pelas próprias pessoas, obrigando o espetador a pensar
naquilo que mostra ao mundo. Uma outra
questão é a desconfiança relativamente ao governo, que, apesar
de procurar soluções, acabará por abafar certas questões e evitar lidar com
elas. O último tema que
gostava de mencionar diz respeito às doenças mentais. Eliott sofre
de paranoia esquizofrénica, um estado agravado quando toma substâncias
psicoativas, que mudam bastante o seu comportamento. Para mais, sofre também de
ansiedade social, sentindo-se constantemente observado pelas pessoas à sua volta. Contudo, a série mostra o que ele pensa sobre tudo isto (e até
existem cenas em que ele fala com a sua psiquiatra, o que aprofunda a nossa reflexão) e demonstra que as doenças mentais (uma realidade muitas vezes são ignorada) são algo preocupante, digna da nossa compaixão.
Para rematar, cada vez mais nos apercebemos como o mundo trabalha através de complexos sistemas que
vêm prejudicar pessoas mais do que ajudar. Porém, todos nós temos algo a dizer e podemos contribuir para uma mudança, por
muito pequena que seja. Deixo-vos o trailer da temporada de Mr. Robot para provocar o vosso interesse no tema da injustiça social.
Espero que apreciem a minha partilha. Boas férias de Carnaval!