Este documentário é absolutamente incrível, de uma profundidade e beleza tocantes. Tem uma banda sonora eclética e inspiradora. As imagens lembram-nos que, apesar da ganância humana, a Terra é uma casa voadora mágica. Filma gente de todo o mundo, abordando temas fundamentais para a nossa humanidade. É tocante reconhecer que somos uma gigantesca família, com mais parecenças do que por vezes gostaríamos de admitir.
Venho partilhar convosco a minha
experiência numa das praias com mais microplásticos em Portugal. Visto que ao longo das nossas aulas
temos falado sobre a importância de termos consciência da nossa pegada
ecológica no planeta, decidi trazer-vos o meu testemunho. A praia de que falo
situa-se nos Açores, na ilha do Faial, e chama-se Praia do Porto Pim. Enquanto
alguém que nasceu e cresceu nesta ilha, posso admitir que sempre tive orgulho em
dizer que passava todos os verões na areia escura desta baía. Apesar da sua
linda paisagem, é impossível ignorar a quantidade de microplásticos existente.
De facto, e de acordo com um estudo realizado pela Sic Notícias no ano passado,
vim a descobrir a chocante realidade: ali, existem cerca de 10 mil fragmentos
de plástico por cada metro quadrado!
De
facto, ao contrário do que eu achava anteriormente, os pedaços coloridos
espalhados pela areia não são resultado do desgaste de rochas ou de outros
organismos marinhos, mas sim fragmentos de embalagens e de outros produtos à
base de plástico que são trazidos pelas correntes. Claro que, apesar da praia
ser limpa anualmente, torna-se impossível recolher todos estes fragmentos e
deixar o areal impoluto.
Por
fim, deixo-vos com esta fotografia tirada por mim onde podem ver todo o
plástico brilhar na areia. Espero possamos todos levar ainda mais a sério o
impacto que as nossas ações possam ter no mundo ao nosso redor.
O orador desta conferência pretende gerar
no espectador uma alteração no modo como perceciona o mundo. São 18 minutos de
monólogo inspirado que reflete sobre essa protagonista que é a mente. A mente –
como todas as abstrações – tão impalpável e ao mesmo tempo tão real. A mente
que à nossa semelhança é capaz das mais belas coisas e paralelamente das mais
terríveis.
A mente mente? Esta é a interrogação que
subjaz a todo o discurso do orador.
A mente mente quando nos leva a crer
que estamos em défice para connosco. Correr é, portanto, o verbo que nos
ocorre; procurar no exterior, no futuro, essa ilusão de satisfação/plenitude
que mais não é do que um oásis ilusório. Aliás, essa procura do que
achamos necessário tende a preconizar todos os atropelos e a justificar as mais
vis ações.
O que se entende, então, por essencial
nesta busca desenfreada? A resposta a esta interrogação reside na fama, no
prazer, na segurança, no poder, na riqueza, no prestígio.
A mente mente quando identificamos que a
plenitude resulta da materialização dos conceitos anteriormente
enunciados. A mente mente ao entender que o essencial da vida está no
passado ou no futuro, negligenciando aquilo que se encontra no momento
presente, naquilo que somos e fazemos a cada instante.
A mente mente quando nos leva a crer que o
mundo é azul e/ou vermelho. Quando, porventura, estas cores são resultado das
lentes que subjazem aos nossos desejos e às expetativas com que percecionamos o
mundo.
A mente mente quando nos faz crer que
somos independentes, visto que a nossa dependência é flagrante. Dependemos do
contributo voluntário ou involuntário de milhões de seres. Esse apego material,
esse egoísmo leva-nos ao esquecimento do impacto do nosso consumo. Exemplo
disso é o vestuário importado – disponível nas grandes catedrais da moda – que
preconiza o trabalho escravo sobretudo de mulheres, mas também de homens e
crianças. O preço desta miopia ocidental é a cegueira efetiva de inúmeros
trabalhadores do oriente, que, por um salário miserável, trabalham sem direitos
e sem qualquer proteção, muitas vezes usando químicos altamente nocivos. A
cegueira destes escravos que suprem as “necessidades” ocidentais não é opcional,
antes uma condição de vida, por outro lado a nossa miopia é opcional, egoísta e
desumana.
Não se trata, porém, só daquilo que
vestimos, mas também daquilo que comemos. O impacto da dieta vigente é
devastador. Dezenas, centenas, milhares de milhões de animais são mortos em
autênticos campos de concentração. Vidas inteiras confinadas a espaços
diminutos sem possibilidade de movimento; animais sobrepostos que se
mutilam. Alimentamo-nos de animais torturados cuja carne é disfarçada com
antibióticos e hormonas que nos envenenam.
Aproximadamente 1/3 da população mundial –
2 milhões de pessoas – poderia ser alimentada com as leguminosas que servem de
alimentação ao gado para abate criado nos já referidos “campos de
concentração”. Esta dieta carnívora generalizada nos países desenvolvidos
utiliza 70% do solo arável para criação de animais, o que absorve enormes
reservas de água, esse recurso cada vez mais escasso.
A mente mente quando nos embelezamos à
custa de cosméticos testados em animais. Coelhos de olhos queimados são um dos
muitos males que esta ditadura da beleza provoca para que nas estantes das
conhecidas superfícies comerciais possa existir a variedade – tantas vezes
enganosa – destes produtos tão essenciais a tantos e a
tantas.
A mente mente quando entendemos as
touradas como uma marca identitária que pretendemos conservar. Quando levamos
as nossas crianças aos jardins zoológicos na expetativa de que o passeio seja
formador das mentalidades dos vindouros naquilo que deve ser o respeito pelos
seres vivos. Mente quando negligenciamos as condições insalubres em que cães e
gatos são mantidos nos canis.
A mente mente quando nos recusamos a
meditar sobre as deficiências de um sistema cada vez mais cruel, mais desigual.
A tomada de consciência de uma mente escravizada é o primeiro passo para a libertação.
É imperioso dirigir a atenção para nós mesmos, mesmo que isso seja
profundamente incómodo. Avançamos, obnubilados, sem nos interrogarmos dos
pensamentos que nos habitam.
Temos de nos des-iludir. Encarar a
des-ilusão como algo de positivo. Olhar para dentro e para fora e ser
consequentes com as nossas escolhas. Para que a mente se redima da sua mentira
não podemos continuar a avançar, destemidos, pensando que continuaremos
saudáveis num mundo doente (Homilia sem público, 27 de março de 2020).
Meditemos…
Trago-vos um artigo da The School of Life, uma
organização centrada em temas de sabedoria emocional e aprendizagem geral,
rápida e concisa, focando desde movimentos artísticos e filosóficos, até
pessoas de renome. Este projeto pretende oferecer ferramentas práticas para
melhorarmos as nossas próprias vidas e modos de ver o mundo.
O artigo reflete
sobre o consumo ao longo dos tempos desenvolvendo uma abordagem histórica, tal
como faz Yanis Varoufakis ao explanar a evolução da economia em Talking to my Daughter about the Economy.
O artigo refere que
a modernidade é única em comparação com outras épocas devido a uma nova
atividade: comprar. De facto, desde o tempo do homo sapiens, a possibilidade de consumir além do objetivo de sobreviver
é extremamente recente.
Na Europa, durante
o século XII, o salário de um camponês tinha como único objetivo a alimentação.
No século XVII desenvolveram-se novas técnicas de agricultura, o que levou à
procura de manufaturas e ao crescimento do emprego. Depois, no início do século
XVIII, os salários subiram consideravelmente, e produtos considerados de luxo tornaram-se
mais acessíveis a um maior número de pessoas. A classe média emergente começou
a comprar produtos mais sofisticados e em maior quantidade. Passados dois
séculos, a revolução do consumo espalhou-se pelo mundo inteiro. Com serviços de
correio cada vez mais eficazes, era possível a entrega rápida de produtos, que
circulavam através de catálogos. Em 1882, Hermann Tietz abriu em Berlim o
primeiro centro comercial, de aspeto magnificente, com o propósito de induzir
os compradores numa espécie de transe (“designed to loosen shoppers´ hold on
reality and induce them into a trance-like state”).
Lojas Tietz, Berlim, 1910
O poder de compra
permitiu ascensão social e o proprietário de uma feira popular podia ser mais
rico e viver melhor do que um imperador inca. Assim, o poder aquisitivo começou
a sobrepor-se às regras de etiqueta e de boa educação.
Segundo a visão dos
economistas, um país deve participar na compra e venda de produtos de consumo
em grande escala para ser próspero, acrescentando ainda que a força e riqueza
de uma nação está nos centros comerciais e nos catálogos de compras. A ideia
será que o consumo massivo garante o pagamento de impostos para assegurar o
bem-estar das classes mais baixas e permitir o investimento em escolas e em hospitais.
Contudo, é importante
saber como gastar dinheiro de forma benéfica e consciente, embora os seres
humanos tenham dificuldade em distinguir o que “necessitam” do que “desejam”,
como já sublinhara Sócrates. Assim, para além do preço, o problema do consumo
está intrinsecamente associado ao nosso autoconhecimento. O nosso estado de
espírito está ligado ao modo como nos sentimos, por essa razão não se devemos
ir às compras com fome, pois é provável que compremos mais do que aquilo de que
realmente necessitamos.
A questão, segundo
o argumento aqui apresentado, é que não sabemos o que nos traz prazer: “we are untrained
amateurs in the art of making ourselves happy”. Acabamos, pois por viver numa gaiola
de ideias-feitas. Sem sabermos o que realmente nos traz prazer, tendemos muitas
vezes a sobrepor a quantidade à qualidade. Sendo consumidores e cidadãos, é de
grande importância determinar em que é que gastamos o nosso dinheiro, porque as
nossas decisões de consumo, juntamente com as de outros biliões de pessoas, vão
moldar a sociedade e o modo como vivemos.
Há quem defenda,
aliás, que talvez devêssemos dar menos valor ao capitalismo moderno, regressar
a modos de vida mais simples e redescobrir a felicidade inerente ao ser humano.
Só redescobrindo quem somos seria possível consumir de modo mais consciente. Dedicamos
a maior parte da vida a ganhar dinheiro; porém, talvez fosse melhor empregarmos o tempo a
descobrirmos a nossa verdadeira identidade.
Quero terminar esta reflexão com uma frase de John
Berger (no 4º episódio da série Ways of
Seeing, disponível aqui),
que reflete o paradoxo da sociedade de consumo, em que a publicidade nos
convence que gastar nos trará um aporte extraordinário, quando, na verdade,
acabamos é por ficar com menos dinheiro: “Publicity proposes to each of us in a
consumer society that we change ourselves or our lives by buying something
more. This ‘more’, publicity persuade us, will make us in some way richer, even
though we will be poorer by having spent our money”.
Já
se perguntaram de onde vêm as extensões de cabelo humano? Pois bem…. Aqui está
uma história arrepiante de uma mãe indiana que cortou e vendeu o cabelo por
apenas 1,81€ para dar de comer aos filhos que estavam esfomeados. Esta família,
como tantas outras nos países menos desenvolvidos, vive numa situação muito
precária, sendo levada a tomar medidas extremas como a desta mãe (ou do pai das
crianças que acabou por cometer suicídio). É um absurdo pensar que esta mãe
vendeu o cabelo por tão pouco e, no entanto, esse mesmo cabelo vai ser
revendido por preços exorbitantes nos países mais desenvolvidos.
A
China e a Índia são dos maiores fornecedores de cabelo humano. No entanto, na Índia,
existe um ritual em que as mulheres oferecem os cabelos, “O cabelo provém de um ritual de tonsura, em que participam não só
mulheres como também homens. No templo hindu de Tirumala, na cidade de
Tirupati, Sudeste da Índia, 500 barbeiros cortam o cabelo a dez mil pessoas por
dia. Ninguém sabe muito bem o que acontece às toneladas de cabelo humano dos
crentes, mas fontes credíveis dizem que o cabelo é recolhido a cada seis horas
e colocado em contentores selados até ao dia do leilão anual". Apesar
disto, existem casos de mulheres na Índia que são assaltadas para lhes roubarem
o cabelo: “Mais de 50 mulheres apresentaram queixa por lhes terem cortado
cabelo enquanto estavam inconscientes”.
A
prática de usar extensões de cabelo humano é maioritariamente para fazer com
que as mulheres dos países mais desenvolvidos em que estes vão ser vendidos se
sintam bonitas e na moda. A grande maioria das mulheres “comuns” quer usar
extensões de cabelo sem pensar na razão. A resposta poderá estar no facto de
quererem ser iguais às celebridades que as usam.
É verdade que a beleza sempre
tem um preço, mas a que custo?
Termino com as palavras do jornalista Bruno Horta, que já acima citei: “É sabido que há
cada vez mais mulheres que recorrem às próteses de cabelo humano para
alcançarem um aspecto glamoroso. Mas o ponto de partida do negócio é ainda um enigma:
porque razão há mulheres de países pobres que vendem ou doam o seu próprio
cabelo - e em que condições o fazem?”
Como todos sabem, vivemos uma
situação de pandemia, com o número de casos de infetados com o Covid-19 a
crescer diariamente em Portugal e noutros países por todo o mundo. Vive-se não
só uma situação de crise, mas também de pânico, como se pode ver pelas
prateleiras vazias de muitos supermercados
Tendo em conta este contexto, é interessante ver como a publicidade reage a estas circunstâncias.
Deparei-me com este anúncio, que está espalhado por vários mupis na cidade de
Lisboa. O anúncio promove um spray que (alegadamente) purifica o ar, matando os
vírus e as bactérias.
Visualmente
está muito bem desenhado. Chama-nos a atenção com a frase “Vírus, Bactérias?
Stop!”. De seguida, apela ao medo e à paranoia, exclamando “O ar que respiramos
é essencial!”.No centro do anúncio,
apresenta, então, o Spray como solução para este problema. Mostra-nos, dentro
de uma bolha, uma casa protegida dos vírus e bactérias pelo Spray, que se
encontra ao lado. Assim, este produto é apresentado como capaz de purificar o
ar e torná-lo totalmente livre de qualquer bactéria ou vírus que prejudique a
nossa saúde. Embora não fale diretamente no novo vírus, acho que todos
associamos imediatamente a palavra vírus ao Covid-19. Por fim, tem um call-to-action discreto, mas eficaz, em
que nos indica que o Spray está à venda nas Farmácias e Parafarmácias. Desta
forma, o anúncio consegue chamar a nossa atenção, apresentando-nos um problema
e a sua solução e indicando-nos os postos de venda nos quais podemos adquirir o
produto.
Não sendo o objetivo deste post explorar a
real eficácia do spray, achei interessante, contudo, encontrar um anúncio que
claramente se aproveita da situação atual para gerar um maior número de vendas.
De certeza que esta campanha está a ser muito eficaz, dada a escassez de álcool
e desinfetantes tradicionais nos locais habituais.
Sigam
as recomendações pela DGS e mantenham-se seguros, afinal “O Ar que respiramos é
Essencial”.
Com toda esta
situação de isolamento que estamos a passar trago uma sugestão para os
"tempos-livres". Porque a televisão pública não é só touradas e Preço
Certo, a RTP transmitiu o documentário Propaganda:
A Arte de Vender Mentiras, de Larry Weinstein (2019), disponível na
RTPPlay até 20 de março.
Independentemente de concordarmos ou não com as perspetivas apresentadas, este
documentário oferece algumas visões interessantes sobre a temática da propaganda,
abordando desde os tempos mais antigos até à atualidade. Através desta linha
temporal, debatem-se questões como a liberdade de expressão, o valor da
"verdade" ou a construção de realidades, entre outras. Vemos o modo
como as imagens e os discursos são manuseados para moldar o nosso quotidiano,
tal como temos vindo a abordar na cadeira Cultura Visual.
Recentemente foi encontrada uma nova espécie animal. Não se trata, porém, de uma espécie qualquer, pois esta tem uma particularidade que outros animais não têm.De facto, Eurythenes plasticus é a primeira espécie conhecida que tem dentro de si uma partícula de plástico.
O consumo de plástico é de tal maneira excessivo que até contamina as profundezas do mar. Espécies que até hoje desconhecemos devem estar contaminadas também. É triste pensar em casos como este, mas ainda é mais triste pensar que o mundo não melhora pois o número de pessoas que evitam plástico (ou pelo menos tentam) é inferior a quem o continua a utilizar. Felizmente a esperança é a última a morrer e com as várias campanhas de consciencialização ao longo dos anos, acredito que, num processo longo e demorado, estamos a progredir para um mundo com menos plástico e com mais alternativas para o mesmo.
Para mais informação sobre esta notícia, podem consultar este link.
"Existem espécies que vivem nos lugares mais profundos e remotos da Terra que já ingeriram plástico antes mesmo de serem conhecidas pela humanidade. Os plásticos estão no ar que respiramos, na água que bebemos e agora também nos animais que vivem longe da civilização humana" — Heike Vesper, diretor do programa marinho da WWF Alemanha.
Um dos
assuntos mais controversos e mais falados da atualidade é o Brexit, a
saída do Reino Unido da União Europeia. No contexto
de manipulação através de publicidade e de propaganda, tive conhecimento de uma TED Talk da jornalista britânica Carole Cadwalladr sobre “O papel do Facebook no Brexit”
que achei pertinente partilhar com todos.
Num breve resumo, um dia após o referendo do Brexit, Carole Cadwalladr viajou até à sua cidade natal de Ebbw Vale para
perceber porque é que 62% dos seus residentes votaram para sair da EU. Ao questionar um jovem residente sobre os motivos que o levaram a votar para sair, a resposta foi que a União Europeia
não tinha feito nada por ele e estava farto. Outras pessoas que
encontrou pelo caminho responderam o mesmo, que estavam saturadas da situação política,
principalmente relativamente aos emigrantes e aos efugiados.
Visto que Ebbw Vale tem um dos índices mais baixos de
imigração do país e era visível por toda a cidade que vários edifícios tinham
sido renovados com fundos da EU, a jornalista não percebeu onde é que as
pessoas tinham ido buscar estas informações.
Acabou por descobrir que antes do referendo a campanha “Vote Leave”
lançou vários apelos como estes que aqui reproduzo.
Esta propaganda política não foi pública. De facto, através
da empresa Cambridge Analytica, a campanha “Vote Leave” conseguiu aceder a
dados privados dos utilizadores da rede social Facebook com o único propósito de
fazer um perfil político das pessoas de forma a compreender os seus medos
individuais e posteriormente explorar a sua xenofobia. Antes de ser dissolvida em maio de 2018, a empresa terá recolhido
ilegalmente informações sobre 87 milhões de pessoas em todo o mundo.
Como os anúncios foram partilhados no Facebook é difícil
perceber quem os viu e que impacto tiveram, mas pelos resultados podemos
calcular que o objetivo da campanha foi cumprido. Por outro lado, a jornalista acusa o dono do Facebook, Mark Zuckerberg, de saber mais do que alegou quando foi contactado pelo parlamento da
Grã-Bertanha e afirma que a nossa democracia liberal está viciada, controlada
pelos os deuses do "Silicon Valley" que têm um poder enorme e saem impunes.
No fim deixa esta questão: “É isto que queremos? Sentarmo-nos
a brincar com os nossos telemóveis à medida que a escuridão aumenta?” Carole
Cadwalladr, TED2019.
Andreia Costa
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Por alguma razão estranha, não estou a conseguir fazer comentários no blogue, pelo que acrescento aqui uma nota sobre a importância de consultarmos fontes alternativas de informação, honrando o jornalismo de investigação (de que Naomi Klein é um exemplo). Deixo ainda o link para os documentários que revelaram as manigâncias da Cambridge Analytica (que apresentou falência para evitar julgamento, mas se reconstituiu em duas outras empresas, certamente dedicadas ao mesmo tipo de manipulação a favor da disseminação de políticas conservadoras). A democracia é uma construção dinâmica que pede o nosso constante contributo. Diana V. Almeida
Olá colegas,
espero-vos bem!! Hoje decidi abordar um tema que infelizmente tem invadido o
dia-a-dia daqueles que vivem o desporto, principalmente o futebol, como uma
paixão. A violência no desporto tem vindo a crescer com alguma rapidez a nível nacional, o que me entristece profundamente.
Como toda a gente consegue reconhecer, o
desporto (seja ele qual for) é algo de valorizar, capaz de influenciar positivamente
a pessoa que o pratica. É até considerado um dos principais garantes de saúde
mental e física, o que comprova a sua extrema importância. Contudo, pode também
originar situações de teor negativo quando as pessoas o começam a levar como
uma competição não saudável, quando não o tomam apenas como algo enriquecedor e
divertido. E é isso que se tem vindo a verificar em Portugal, em elevado grau
no âmbito futebolístico.
Na minha opinião, eu que sigo o futebol com
alegria, as situações que se têm vindo a observar são completamente
inqualificáveis. Agressões entre membros de claques adversárias, cânticos que
apenas apelam e refletem o ódio pelo outro (aquele que apoia outro clube) ou até mesmo mortes, são acontecimentos tristes, retrógrados e
desumanos.
Acredito que todos são culpados e todos são vítimas, independentemente da instituição, grupo
ou clube desportivo que esteja em questão. Aliás, os principais responsáveis
por este problema, são os dirigentes dos clubes. Incutem a falta de respeito pelo
adversário, sem qualquer fundamento, dado que “quem grita mais alto é
quem é superior”. Se
é realmente do desporto que gostam, mostrem em campo quem é o
melhor, sem joguinhos de bastidores e sem faltas de respeito. E repito, mais
uma vez: ninguém com responsabilidades “neste mundo” que é o futebol pode dizer
que não é culpado. Dirigentes desportivos, presidentes, comentadores
televisivos ou até mesmo o mais simples adepto. Todos têm de funcionar como um
só. A não ser que queiram que o futebol se torne um campo de batalha, em que o
último a morrer é quem leva a taça.
Para
concluir, tenho apenas a reforçar que o futebol tem de ser levado com alegria,
com respeito e com “cabeça”. Quando a equipa de que gostamos perde, é como se
tivessem tirado um (grande) bocado de nós próprios. Li há algumas semanas
atrás, que a paixão que alguém sente por um clube pode até ser comparada a um
amor romântico. Verdade ou não, o futebol é festa, é
alegria, é sair às ruas para festejar uma vitória do nosso clube ou do nosso
país, é conviver com o adversário com picardias saudáveis, sem sete pedras na mão. Quem gosta apaixonadamente disto percebe que não é apenas
um jogo. Mas também não é a Batalha de Aljubarrota, é preciso ter calma. Posto
isto, apelo para que mais ninguém se atreva a estragar aquilo que é tão bonito.
Acredito que grande parte de vós já tenha ouvido falar do chamado manspreading, o fenómeno de os homens, ao sentarem-se em transportes públicos, abrirem demasiado as pernas, por vezes ocupando até dois lugares. Ora, por muitos esta atitude é considerada um exemplo da masculinidade tóxica; isto é, do homem em causa tentar mostrar que é “macho”, oprimindo a liberdade feminina.
A primeira vez que eu ouvi falar deste termo, foi na FLUL, no segundo semestre do primeiro ano (2018, portanto). Esse meu colega tinha entrado numa turma de determinada disciplina, com uma professora que andava a falar disso nas aulas. E curiosamente, encontrava-se com receio, e com vontade de mudar de turma, pois sentia que ele, sendo do sexo masculino, e sendo mais velho do que todos os outros alunos (acima dos 30 anos), poderia vir a ser prejudicado, face à constante postura da professora. É aqui que se encontra o problema. Não tenho dúvidas de que o manspreading é real, e muitas vezes usado por pessoas que tentam compensar algo. No entanto, trata-se de casos pontuais. E em vez de perguntarmos a razão de tal acontecer, começamos a generalizar este ato, e a incitar ódio. E depois acontecem situações como esta acontecem( já agora, reparem no teor pornográfico do título).
Eu decidi perguntar-me porque razão por vezes tenho vontade de ter as pernas abertas quando me sento, outras não. Por que razão a minha ideia generalizada e tradicional de um homem é a de o ver com pernas abertas (mesmo sem chegar ao extremo do manspreading), e das mulheres de pernas fechadas ou cruzadas. Noutros termos, porque é os homens se encontram geralmente com uma postura corporal mais aberta do que as mulheres? Se começarmos a pensar desta maneira, em vez de partirmos logo para “o homem machista quer oprimir a mulher”, encontramos outra perspetiva para a situação, uma perspetiva que nos abre muito mais os olhos.
É sabido cientificamente que quando estamos relaxados, sem tensões, divertidos, presentes, o nosso corpo abre-se, expande-se; e quando estamos nervosos, ansiosos, tensos, o nosso corpo fecha-se (uma reação normal do corpo, como o expandir da caixa torácica, alongamento da coluna, entre outros exemplos). Assim, é normal que estando eu, indivíduo do sexo masculino, confortável e “bem com a vida”, adote uma perspetiva mais relaxada e aberta, o que pode significar que eu tenha as pernas mais abertas. Ora, se estiver mais nervoso, dependendo até da situação ou das condições que me são apresentadas, adotarei uma postura corporal mais fechada, que pode incluir fechar as pernas, ou cruzá-las.
Como é que isto se traduz nos dois géneros, em contexto social? A noção geral é de que os homens se sentem mais à vontade no dia a dia, isentos de grande parte dos perigos que pairam sobre a mulher. De facto, desde muito cedo que as mulheres são aconselhadas a assumir comportamentos de modo a diminuir as hipóteses de serem molestadas. E isto é algo que muitos homens não têm presente, quer relativamente a mulheres que não conhecem, a amigas ou à namorada/esposa.
Por exemplo, o National Sexual ViolenceResourceCenter, numa das várias estatísticas constata: “One in fivewomenandone in 71 menwillberapedat some point in their lives”. Uma estatística alarmante e que dá que pensar. Penso, por exemplo, na minha primeira namorada, que foi assediada de dia numa paragem de autocarro, e apalpada à noite num bar, ou noutra amiga que também foi apalpada à saída de um bar. Na altura, uma pessoa pode pensar, foi algo pontual, foi mau e estúpido, mas foi algo pontual. No entanto, cada vez mais nos vamos apercebendo de que estas coisas são uma constante que atormenta as mulheres há séculos. A preocupação constante de não ir por aquele lado porque está escuro, de não ir a tal sítio por ser perigoso, de não usar determinado vestido (que adoro!) porque pode incitar algum homem a ter um comportamento violento. E assim nós homens cada vez mais nos apercebemos, pois, de que a nível mais ou menos consciente as mulheres vivem em permanência com a assustadora ameaça de serem violadas, porque a nossa sociedade não respeita os seus corpos.
Porém, apesar de este facto ser incrivelmente horrível, não acredito que seja através de generalizações e da incitação ao ódio que alguma coisa poderá mudar.Porque o problema de generalizar é que torna fácil o ataque aos movimentos feministas bem-intencionados. Seguido o vídeo desta ativista russa, vieram reações por parte do governo onde defendiam a criminalização do Feminismo, como podem ver aqui.
Há quem defenda que talvez tenha sido o próprio governo a fabricar este vídeo de propósito não só para esta descredibilização, mas para nos manter em conflito, para não trabalharmos juntos para o mesmo objetivo. Falso ou não, conseguiu incitar as respostas violentas contra o feminismo, que referi anteriormente, e mesmo contra a ativista em si.
Em suma, a generalização é um ato bastante perigoso, e que pode levar ao preconceito e a ataques não só a homens (como parece ter sido o caso documentado no vídeo em questão) e a mulheres, como aos próprios movimentos feministas bem-intencionados. Este tipo de generalizações gera violência e ódio. Em vez de generalizar, e começar a anunciar que todo os indivíduos do sexo masculino são maus, que fazem todos manspreading, ou seja, criar conflito entre os dois sexos, mais divergência, devemos focarmo-nos nas razões de as coisas serem assim e de as mulheres se sentirem tão ameaçado no seu quotidiano, e, sobretudo, naquilo que poderemos fazer para ajudar. Juntarmo-nos para lutar por uma sociedade de igualdade, onde ser homem seja a favor da igualdade e da justiça, reconhecendo os dilemas que afetam o sexo oposto e intervindo sempre que vê ameaças à segurança das mulheres ao seu redor. Ou, talvez utopicamente, para que se crie uma sociedade onde não haja necessidade de heróis, onde as mulheres se sintam seguras para levar a sua vida e serem elas próprias.